Memórias de Aeroporto – Crônica nostálgica de Elton Tavares

Antigo Aeroporto de Macapá – Foto: site Mais Paisagens Aéreas.

Crônica de Elton Tavares

Quando eu era moleque, a família acompanhava um ente querido no aeroporto até o embarque. Naqueles tempos, as companhias aéreas Vasp, Varig-Cruzeiro, Transbrasil e Taba ainda existiam. Ir ao aeroporto era um passeio e tanto. Bons tempos.

A ida ao aeroporto ia além de uma simples despedida. Era um evento, uma celebração do amor e dos laços familiares. Lembro-me de acompanhar um parente até o embarque, cheios de emoção e expectativa. Ficávamos na varanda, na parte de cima do Terminal, acenando ao parente que embarcava. Ele sempre retribuía com acenos.

Naqueles dias, o aeroporto era um lugar mágico, cheio de vida e movimento. A lanchonete então, era uma das melhores. Fazia a alegria dos viajantes e de quem os acompanhava. Foram as primeiras vezes que eu e meu irmão vimos um fliperama. Havia um no centro da cidade também, mas fomos lá depois de descobrirmos esses locais de jogos eletrônicos no aeroporto.

O aeroporto era um ponto de partida e chegada. De adeus e boas-vindas. A Sala de embarque e desembarque decorada com um grande painel ilustrado, pintado pelo falecido artista Raimundo Braga de Almeida, o R. Peixe, retratava a antiga capital amapaense, com a bicentenária Fortaleza de São José e o cais da frente da cidade, existente até a década de 60. Era um lugar especial.

E quando éramos nós que viajávamos então? Égua! Era sempre emocionante. Dava medo, mas era prazeroso olhar pela janela e brincar com os formatos das nuvens, comer o lanche (tinha uma maletinha bege que continha sanduiche, miniatura de vinho, algum doce, entre outras guloseimas da merenda aérea) e sentir o frio na barriga na decolagem e aterrissagem (confesso que até hoje meu sangue gela um pouco nesses dois momentos).

Hoje, ao olhar para trás, vejo que esses momentos no aeroporto são preciosas lembranças da minha infância com meu saudoso pai, Zé Penha, e minha maravilhosa mãe, Maria Lúcia. Eles fizeram esforços para que tivéssemos esse tipo de experiência, já que sempre foi caro viajar de avião de Macapá para fora do Estado. Era uma época mais simples e afetuosa.

Essas memórias permanecem vivas em meu coração, lembrando-me de tempos felizes e cheios de amor. Nostálgico. É isso.

  • Era uma coisa maravilhosa mesmo. Até hoje fico embasbacado quando um avião tipo boeing levatar da pista. Eu também tenho esse friozinho no estômago e me seguro na poltrona da frente. Parabéns pela crônica nostálgica.

  • Caiu até um “cisco” aqui no meu olho, maravilhosa essa experiência, eu curtia muito esse acontecimento, me sentia uma Rock star quando descia a escadinha e se tivesse algém da varanda acenando eu ia ao meu delírio juvenil . Valeu pelo texto mano, muita sensibilidade, um belo resgate de nossas melhores memórias !

  • O Elton sempre salva com suas crônicas. Essa é uma viagem no tempo e no espaço e resgata somos, imagens e sentimentos dos bons.

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