Menos messiânico, U2 faz show irretocável em São Paulo

Bono Vox já declarou que um dos objetivos da “360º Tour” é a intimidade em larga escala. Em outras palavras, dá para dizer que o U2 quer que seus fãs se sintam à vontade. Assim, antes da já habitual “Space Oddity”, de David Bowie, com a qual o quarteto sobe ao palco, os alto-falantes fizeram “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, ressoar em um estádio do Morumbi completamente lotado na noite deste sábado, 09 de abril.

O show começou com “Even Better Than The Real Thing”, música do álbum “Achtung Baby” que a banda resgatou durante as apresentações em Buenos Aires. Um presente para os fãs mais fervorosos. “I Will Follow”, da estreia “Boy”, veio em seguida, lembrando que o U2 sempre soou grandioso e destinado a ser uma das maiores bandas de todos os tempos.

Um dos segredos da magnitude e longevidade do U2 é sua capacidade de passear por diversos estilos. “Mysterious Ways”, também remanescente de “Achtung Baby”, provou que um estádio de futebol pode, muito bem, se transformar em uma pista de dança, graças ao riff simples da guitarra de The Edge e ao baixo circular e envolvente de Adam Clayton.

E aí Bono fica sozinho no palco com The Edge, interpreta uma versão acústica de “Stuck In a Moment You Can’t Get Out Of” e toda a grandiosidade do espetáculo é vista por outra perspectiva. É óbvio que o palco em forma de garra impressiona logo ao se colocar os pés no estádio, a parafernália visual chama a atenção, mas despida de efeitos a canção realça o que, no final, realmente importa: o U2 é uma das poucas bandas capazes de compor melodias sentimentais que soem ao mesmo tempo universais e únicas.

Em comparação com sua última turnê, que passou pelo Brasil em 2006, o messianismo demagógico de Bono fica bem reduzido nesta “360º Tour”. Se antes havia a Declaração Universal dos Direitos Humanos sendo transmitida no telão, agora o foco parece ser mais a música.

Mesmo a emocionante “Miss Sarajevo” passa incólume pelo discurso pacifista do cantor, que só vai aparecer no final da primeira parte do show, após o hino de protesto “Sunday Bloody Sunday”. Bono celebra a libertação, em novembro do ano passado, da líder de Burma Aung San Suu Kyi, presa em domicílio por 21 anos por fazer oposição ao governo do país asiático.

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu aparece em um discurso no telão antecedendo o bis, que chega com “One”. “Where The Streets Have No Name” traz então toda genialidade de The Edge, capaz de preencher um estádio com poucas notas e efeitos grandiosos.

Ainda há tempo para “With Or Without You” antes de Bono lamentar a tragédia ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio, na quinta-feira, 7, e dedicar a derradeira “Moment Of Surrender” a todos as 12 crianças mortas, que tiveram seus nomes mostrados no telão.

Não é à toa que o U2 conquistou o posto de maior banda de rock do mundo. Com 35 anos de estrada, os irlandeses pavimentaram uma história íntegra e ousada, sem se deixar seduzir pelas fórmulas do sucesso fácil, se reinventando a cada disco e propondo desafios sonoros aos fãs. Chegaram ao ponto do mega estrelato, do espetáculo de massa, mas sem deixar que a megalomania visual ofusque a mensagem sonora. É tudo planejado para que cada fã se sinta parte especial do todo. A banda se apresenta ainda duas vezes em São Paulo, neste domingo, 10, e na quarta, 13. Faça o possível e o impossível para não perder.

FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/

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