Meu cantor favorito sumiu no mapa

Belchior

Por Jaci Rocha

Meu cantor favorito sumiu no mapa.

E não foi coisa de avião na Malásia. Ele cansou do mundo. Eu o entendo. As melhores pessoas que não conheci se entristeceram ou foram feridas com essa dureza toda que a tudo ronda: Lennon, Renato, Cazuza…tanta gente! Isso sem falar na geração dos 27 anos.Enfim… daria um texto a respeito.

É que o mundo não é escola. Tem parecido mais uma penitenciária. A escola é interna. E a minha ‘tem gente de verdade’. E falta também. Mas, a ‘minha história é talvez igual à tua’: Sofro de lonjuras. Lonjuras indescritíveis,como quase tudo. Aliás, descrever? não consigo. Não consigo resenhar a vida. Nem livros! Na essência, ambos só são bons quando sentidos.

Meu cantor favorito sumiu do mapa.

O mundo não pára de cobra-lo o retorno das obrigações. Eu o entendo. A missão é diferente da razão. Mas, se ele não voltar, se não o conhecê-lo,tanto melhor. Que ele seja feliz no exercício de ser pessoa, em um mundo de celebrações e celebridades. Ele não quer mais ser produto, porque prefere encher os olhos d´água de tanto ‘ler o pessoa’ e comover-se e indignar-se. Como o entendo!

Meu cantor favorito sumiu do mapa.

Ele ‘ficou desapontado, como é comum no seu tempo’. Chamam-no de pródigo, de louco, de endividado. Eu o entendo! a poesia de verdade não comercializa a emoção. Não vivifica nada que já não tenha do que se alimentar: poesia come poesia. Não come cédulas, não engole células. Não preciso vê-lo. Sua canção já alimenta a minha emoção desnorteada. Quero que siga o seu caminho, ande por onde o sol apontar e mantenha a certeza de que, ainda daqui, mesmo alucinadamente, tem muita gente que também não desiste de ser!

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