Modéstia às favas eu derrubei a faveira centenária – Crônica de Aharon Alcolumbre – @aharonzinho

Foto: Adson Lins Santos de 2015

Crônica de Aharon Alcolumbre

Eu mijei na faveira e provoquei sua queda. No início da década de noventa fui promovido a estudar no Colégio Objetivo uma das primeiras escolas particulares a se instalar no Amapá, localizado na Iracema Carvão Nunes em um prédio que ficava por trás da faveira que ali já estava. Uma árvore cujos únicos perfumes eram: pela manhã dos fornos de bolacha e à tarde da torrefação de café da fábrica amapaense.

No final da aula os alunos se concentravam ao redor da velha árvore, para aguardar seu transporte ou relaxar após as aulas do professor Sacadinho ou das lições comportamentais da Maria Ângela.

Quantas vezes fiquei esperando o Seu Tiago naquele corcel amarelo que transportava alunos de tantas escolas que quase nunca conseguia chegar no horário da saída de cada um dos seus clientes. Como não era permitido voltar para dentro da escola depois de sairmos, éramos o obrigados a Mijar quase escondidos nos pés da Faveira, que aguentava de tudo, desde as brigas, os romances e as lamentações.

Moleques naquela época não havia sonhos, vivíamos o presente dia após dia ao redor da faveira, só tínhamos desejos: de sair mais cedo, de conseguir o gabarito das provas e principalmente de “se quebrar” na faveira no final dos ensaios da quadra junina com a Carol, a mais bela da escola que com seus olhos verdes e simpatia ofuscava qualquer faveira centenária que se colocasse a sua frente.

Saudade da faveira! Nem um pouco! Mas das lembranças de tudo que ela nos proporcionou em tempos que o nosso maior problema era atravessar a praça da bandeira com a Maryslane arrastando a perna pra nos fazer passar vergonha.

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    Uma Crônica…cheia de resíduos que são o tripé da nossa adolescência…
    Alegre, despretensiosa, e bonita!

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