Moedas e Curiosidades: “O mais triste dos homens” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Na minha coleção tenho duas moedas de bronze feita na época do imperador Tibério César, um sestércio em homenagem ao imperador Otávio Augusto e um quadrante com a imagem de Tibério, moedas de grande circulação pelo Império Romano devido seu baixo valor.

Tibério César era filho do magistrado Tibério Cláudio Nero e de Lívia Drusilla. Sua mãe separou-se do pai quando ele e o irmão Druso eram bastante jovens, para casar com o imperador Otávio Augusto. Tibério foi educado para a carreira militar e fez brilhantes campanhas na Panônia e Dalmácia, o que lhe garantiu apoio popular.

Em 12 a.C. Tibério é obrigado a divorciar-se de sua mulher Vipsânia (o grande amor de sua vida) e casar com a herdeira de Otávio Augusto, Júlia Cesaris. Conquistou novas vitórias na Germânia e é adotado pelo imperador Otávio Augusto como filho em 4 d.C., que sem perspectiva de ter um herdeiro de descendência própria, este o nomeia sucessor.

Tibério César assume o Império Romano de 18 de setembro do ano 14 d.C. Em sua gestão o Senado perdeu influência, reduziu os gastos públicos, assegurou as fronteiras, exilou a comunidade judaica de Roma e determinou o fim dos duelos de gladiadores.

De personalidade tímida e reservada, mandou matar muitas pessoas, dentre elas vários de seus amigos. Paranóico por conspirações, Tibério passou seus últimos dez anos de vida, em Capri, onde morreu em 37 d.C. de causas naturais. Deixou o império ao sobrinho-neto Calígula e ao neto Tibério Gemelo.

As moedas romanas em circulação durante a maior parte da República e do Império Romano, incluía o áureo de ouro, o denário de prata, o sestércio, o fólis e o dupôndio de bronze e o asse de cobre. A autoridade para cunhar moedas pertencia, primordialmente, ao governo central em Roma, que emitia moedas de metal precioso. As províncias romanas podiam cunhar moedas de bronze de menor valor.

A moeda imperial mais comum no tempo de Jesus foi cunhada por Tibério César, e trazia a inscrição “Tiberius Caesar Divi Augusti Filius Augustus Pontifex Maximus” (Tibério César, filho Augusto do divino Augusto, sumo sacerdote). Era um denário especial que trazia a imagem (cabeça e pescoço) do imperador. Foi essa moeda que Jesus pediu que mostrassem, com a qual se pagava um tributo per capita, chamado “kenson” (“censo”, daí o imposto de recenseamento) com referencia ao fato de que todo habitante daquelas províncias (Judéia, Galiléia, etc) devia pagar.

A famosa frase “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, aparece em Mateus 22:15-22, registra três tentativas dos adversários de Jesus de fazê-lo entrar em contradição: a questão sobre o imposto, a questão sobre o levirato (irmão do marido) e a ressurreição, e a pergunta sobre o maior mandamento (o Senhor nosso Deus é o único Senhor).

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *