Moedas e Curiosidades – “Xem Xem ou Xing Ling?” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Em 1992 fui participar da 44ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que ocorreu no período de 12 a 17 de julho na USP em São Paulo, o evento foi maravilhoso e com muito aprendizado, porém ninguém me avisou que era frio lá (8°C!), um caboclo nortista acostumado com o calor e as praias de Mosqueiro-PA com certeza iria sofre com o frio, né? Fiquei muito impressionado com o tamanho da cidade, e aproveitei pra conhecer a famosa Rua 25 de março, onde comprei a minha primeira calça “Zoomp” (original kkk) por um preço excelente.

A moeda falsa é um crime contra a fé pública previsto no artigo 289 do Código Penal Brasileiro, que estabelece a pena de 3 a 12 anos de reclusão, além de multa, para quem falsificar moedas metálicas ou papel-moeda (cédulas) de uso geral no Brasil ou no exterior, fabricando-a ou alterando-a. Embora o nome dado ao crime seja “moeda falsa”, dificilmente se tem notícias de moedas metálicas falsificadas, ocorrendo geralmente a falsificação de notas de papel-moeda, principalmente as de maior valor.

A falsificação monetária é uma prática tão antiga quanto à própria criação da moeda como meio de pagamento, que ocorreu quando foi substituído o sistema de “escambo” (troca de mercadorias) por um meio no qual se atribui valor a uma moeda, para que através desse fossem realizadas as operações comerciais. Desde essa troca o Estado se encarregou de comandar e monopolizar essa emissão e, consequentemente, combater o crime de falsificação também se tornou um interesse estatal.

Xem Xem (ou Chan Chan) foi a designação popular da moeda falsa de cobre, que fazia um barulho igual um tacho velho de cobre.

A moeda falsa de cobre, conhecida como a moeda “podre” do Brasil, foi uma praga que se alastrou por todo o país, durante o período crítico da nossa independência, prolongando-se pela regência e alguns anos depois da maioridade de D. Pedro II.

Dada à necessidade inadiável de moedas, pois quase todo o dinheiro que havia foi retirado do país por D. João VI e sua corte quando retornaram para Portugal em 1821, exigiu-se da Casa da Moeda Imperial Brasileira a cunhagem das moedas em quantidades que pudesse satisfazer as necessidades do momento, porém a Casa da Moeda não tinha nem aparelhamento e nem pessoal habilitado suficiente para atender a uma produção em larga escala. Daí a cunhagem imperfeita, o peso irregular das moedas, a maioria delas leves demais para o valor. Tudo isso foi um convite à falsificação, e os falsários se espalharam por todo o país, principalmente no Nordeste.

Atualmente Xing Ling é um termo empregado no Brasil para distinguir um produto genérico ou falsificado (copiado) de grandes marcas (imitação), tais como Nokia, Samsung, Apple, Sony, Kingston e outras menos conhecidas, dos quais não se sabe a origem pois sua procedência é duvidosa, sendo geralmente fabricados na China, pelo famoso clichê “Made in China”, que representa a fabricação em larga escala, não o lugar e a fábrica em que foram feitos.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

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