MOSAICO DA AMAZÔNIA ORIENTAL COMPLETA 05 ANOS – Por @Ale_Lameira

Nesta quarta-feira, 03 de janeiro, o Mosaico da Amazônia Oriental completa 05 anos. Composto por 03 Terras Indígenas (TI) e 06 Unidades de Conservação (UC), o Mosaico é um canal de informação e diálogo entre todos os que vivem dentro e no entorno das áreas protegidas: os agricultores familiares da Perimetral Norte, os gestores das UC, os povos Wajãpi, Tiriyó, Katxuyana, Wayana, Aparai e Txikuyana, os extrativistas, as organizações da sociedade civil e os órgãos de governos municipais, estaduais e federais.

Reconhecido em 2013 pelo Ministério do Meio Ambiente, é considerado o maior mosaico reconhecido no Brasil, somando 12,40 milhões de hectares, composto por 09 áreas protegidas, tais como: Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, Floresta Nacional do Amapá, Reserva de Desenvolvimento do Rio Iratapuru, Floresta Estadual do Amapá, Parque Natural do Cancão, Reserva Extrativista Brilho de Fogo, Terras Indígenas Wajãpi, Parque do Tumucumaque e Rio D’Este.

O Mosaico da Amazônia Oriental abrange parte do Planalto das Guianas, região reconhecida pela rica biodiversidade e diversidade sociocultural.

Biodiversidade – Cerca de 90% de sua vegetação é formada por florestas sempre verdes, com árvores de até 40m de altura e muita umidade. Também há regiões de contato e transição entre floresta e cerrado, onde há centenas de espécies animais e vegetais que só existem por ali.

Sociodiversidade – Há presença de populações extrativistas e pequenos agricultores, além dos povos indígenas de duas famílias linguísticas diferentes: Karib e Tupi.

Os conhecimentos desses povos e seus jeitos de viver garantem que a floresta esteja sempre em pé. Por outro lado, as florestas protegidas na forma de Unidades de Conservação são aliadas na conservação das Terras Indígenas e seus povos.

A presença de sítios arqueológicos e petróglifos (desenhos gravados nas rochas) mostram que esse território há muito tempo tem sido ocupado por diversos povos. A necessidade de proteger essa rica biodiversidade, valorizar a diversidade cultural e garantir o desenvolvimento sustentável na região é o que dá força ao Mosaico da Amazônia Oriental.

Áreas protegidas

Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque – O maior Parque Nacional em floresta tropical do mundo! É lar para espécies da fauna e flora que só existem no local, cuja importância tem grande valor para diversas áreas Está numa região de relevo mais elevado, abrigando as nascentes dos principais rios do Amapá. É aberto para a visitação turística de forma experimental

Floresta Nacional do Amapá – No centro do Amapá, abrange uma das áreas de maior biodiversidade do país. Visa gerar benefícios através do uso racional dos seus recursos naturais, a partir de atividades de ecoturismo e turismo de base comunitária, do manejo florestal sustentável por meio de concessões florestais e pela conservação da biodiversidade. São beneficiadas diretamente as populações extrativistas que vivem no seu entorno e que praticam a coleta do açaí e da castanha do Pará.

Terra Indígena Wajãpi – Com uma população de cerca de 1200 pessoas vivendo em 95 aldeias, a TI foi homologada em 1996 após um processo de demarcação pioneiro realizado pelos próprios Wajãpi. A ocupação da TI caracteriza- -se pela constante circulação entre roças e aldeias abertas em diferentes regiões e pelo abandono temporário de áreas onde os recursos tornam-se escassos. Essa mobilidade territorial permite a regeneração ambiental e a renovação dos recursos, mas vem sendo ameaçada por políticas públicas que induzem à sedentarização, como a concentração do atendimento à saúde e da oferta de educação escolar em poucas aldeias próximas à BR- 210.

Terras Indígenas Parque do Tumucumaque e Rio Paru d’Este – As TI Parque do Tumucumaque e Rio Paru d’Este formam uma área contínua com cerca de 4.266.853 ha na fronteira com o Suriname e a Guiana Francesa. Embora situadas no Pará, devido a logística, encontram-se jurisdicionadas à Funai e demais órgãos de assistência em saúde, educação e outros baseados no Amapá. O único meio de acesso a ambas TIs é por via aérea. Nelas, há diversidade de povos de línguas e dialetos Karib provenientes de diversas regiões do norte do Pará, Amapá e sul dos países vizinhos.

Floresta Estadual do Amapá – Criada em 2006, é uma grande á rea de floresta e cerrado com rica e exclusiva biodiversidade devido a transição entre esses biomas. São permitidas atividades econômicas relacionadas ao manejo florestal sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros – como o açaí, a castanha-da-amazônia, o cipó-titica e o palmito, além de outras atividades previstas em seu Plano de Manejo.

Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru ­- Ao sul do Mosaico está a RDS, atravessada pelo Rio Iratapuru e com grandes castanhais. Abriga grande diversidade de espécies animais e vegetais. Criada em 1997, a reserva é utilizada por comunidades tradicionais que exploram a castanha-da-amazônia e outros produtos não madeireiros, como o breu branco, a andiroba, a copaíba e o camu-camu. Organizadas em torno de uma cooperativa, as comunidades somam cerca de 150 famílias.

Reserva Extrativista Beija Flor Brilho de Fogo – Criada para conservação e uso sustentável, tem por objetivo garantir a subsistência das comunidades que vivem no entorno e que utilizam os recursos da Resex. Lugar de transição de igapós e com grandes açaizais, a área é propícia ao desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como a extração do cipó-titica e do açaí, além da caça e da pesca para subsistência. Seu nome homenageia o beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza pella), a maior espécime do Brasil, assim como considerado o mais bonito beija-flor.

Parque Natural do Cancão – Às margens do Rio Amapari, o Parque é a menor área do Mosaico e a única no meio urbano. Criado em 2007, sua vegetação é de floresta e as principais espécies encontradas estão a ucuúba, sumaúma, acapú e a castanha-da-amazônia. A área é lar para diversos primatas, como o mico- -de-cheiro, assim como para mamíferos voadores e pequenos insetos. Seu nome homenageia uma grande ave de mesmo nome – o pássaro cancão, uma espécie de gralha.

Foto: Zig Koch/ Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque
Alessandra Lameira
Assessora de Comunicação/Mosaico da Amazônia Oriental
(96) 981197655

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