MP do AP identifica falta de remédios e equipamentos essenciais no maior hospital do estado

Remédios básicos estão em falta em hospital do Amapá (Foto: MP-AP/Divulgação)

Por Rita Torrinha

Na farmácia do Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), em Macapá, anotações em um quadro branco destacam nomes de 22 medicamentos em falta naquela unidade de saúde. O flagrante foi feito pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP), que após inspecionar o local, apontou uma série de outros problemas, incluindo atraso nas obras, equipamentos danificados e falta de médicos.

O governo do estado confirmou a falta dos medicamentos, mas garante que a compra está em andamento, e que alguns itens aguardam a entrega por parte do fornecedor.

Entre os remédios básicos não disponíveis estão a dipirona, hidrocortisona, aminofilina, plasil, ranitidina e omeprazol. A fiscalização ocorreu na terça-feira (24) pela Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do Amapá (MP-AP).

Em nota, o MP informou que a direção do hospital explicou que, “para não agravar ainda mais o quadro, a compra de medicamentos vem sendo realizada via fundo rotativo do hospital, devido a carência constante na Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF)”.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reiterou que tem feito licitações e mantido o diálogo com os fornecedores, para garantir a manutenção do estoque de medicamentos das farmácias das unidades hospitalares estaduais.

A inspeção constatou também a paralisação nas obras do hospital, o que tem afetado diretamente a ampliação do Centro Cirúrgico, segundo o MP, que menciona ter recebido de resposta da Secretaria de Infraestrutura (Seinf) que a direção do hospital não providenciou a liberação de áreas indispensáveis ao andamento da reforma.

Sobre essa situação, a Sesa disse que aguarda a chegada das tubulações para a rede de ar comprimido que vem de fora do Estado. Que a empresa avisou à direção do hospital do atraso na entrega, que deveria ter ocorrido na terça-feira (24). A nova previsão de chegada das tubulações é para esta quinta-feira (26).

Inspeção foi realizada pelo Ministério Público no Hcal, em Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Problemas também foram detectados no setor de Imaginologia, onde apenas o aparelho de raio-x estaria funcionando normalmente. Além disso, a Promotoria de Defesa da Saúde apontou que o aparelho de ultrassonografia está quebrado. Da mesma forma o tomógrafo.

“O aparelho de ultrassonografia está quebrado e o exame é realizado com aparelho portátil, portanto, com baixa qualidade de imagem, o que pode comprometer o diagnóstico. Além de disso, não está sendo realizada no HCAL a ultrassonografia de tireoide, tampouco a de mama”, diz a nota do MP.

Em nota, o governo informou que o novo aparelho fixo de ultrassonografia aguarda a instalação pela empresa responsável, e garantiu que, em até 15 dias, esse novo equipamento estará funcionando.

A respeito do exame de tomografia, o executivo justificou que o procedimento é realizado por uma empresa credenciada, e que está sendo feita a aquisição de três novos tomógrafos.

A falta de médicos foi outro ponto observado durante a inspeção. Conforme o MP, o procedimento de eletroencefalograma está paralisado porque não há médico para emitir os laudos. O único que atua no setor está de férias. Os exames que necessitam de sedação também não podem ser realizados por falta de anestesista.

“O exame de eletroencefalograma precisa de médico neurologista especializado para emitir o laudo. Depois de oito anos, o serviço foi reimplantado e inicialmente conta com um médico para a emissão dos laudos. No entanto, mesmo no período de férias do profissional, outro médico neurologista emite os laudos uma vez por semana, dos exames que continuam sendo feitos, diariamente. Já foi solicitado ao coordenador clínico que disponibilize mais profissionais para a emissão dos laudos”, esclareceu a Secretaria de Saúde.

Ainda com relação aos anestesiologistas, a Sesa disse que está sendo organizada a escala e a estrutura para o atendimento dos exames que necessitam de sedação.

A ala da Unidade de Tratamento Intenso (UTI) também foi visitada pelo MP e, segundo relatório, dos 11 leitos, apenas seis estão funcionando. O motivo é a ausência de ventiladores pulmonares.

Referente a esse problema, a secretaria estadual pontuou estar em fase final de aquisição de 60 ventiladores. Os ventiladores pulmonares que não estão disponíveis para uso estão passando por manutenção.

MP aponta que aparelho de ultrassonografia está quebrado (Foto: MP-AP/Divulgação)

Na UTI também não estão sendo realizados os exames de gasometria desde o dia 13 de julho. O procedimento tem como objetivo verificar se as trocas gasosas estão ocorrendo da maneira correta e, assim, avaliar a necessidade de oxigênio extra.

Em resposta a esta constatação, o governo afirmou que o aparelho que realiza o exame de hemogasometria estava passando por manutenção e já se encontra em funcionamento. “Durante o período de manutenção os exames estavam sendo coletados, normalmente, e realizados no aparelho do Hospital de Emergência (HE)”, destacou.

Fonte: G1 Amapá

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