Muro Branco – Texto Poético de Luiz Jorge Ferreira

De costas Cláudio Reis parece menor, mas mesmo assim alcança seu objetivo e arruma como notas musicais, as Andorinhas, os Bem te vis, e alguns Canários da Terra, nos fios da Celpa…Centrais Elétricas do Pará… Presos por anzóis.

Na Praça em frente, João Urso, fica cutucando a unha do dedão do pé, com a ponta da lâmina de um canivete Corneta.Observa com o olho esquerdo.Enquanto aguarda o fim do Mundo.

O Outdoor anuncia.
Quem se candidata a fotografar com esta Polaroide a festa de Debutante da Miss Suéter.
E mostra a foto da Máquina Moderníssima…
Fotografe.
Frente.Perfil…e dos dois lados.
Por favor enviar as fotos para Estrada Nova …Rua Veneza S/N.Um Sobrado tosco.
Onde a Avó da Miss, cheia de saudades, tece um pano de prato rico em temas regionais…Araras e Nhambus.

Ei!
Aponto para Cláudio com dois dedos pequenos e calejados.
Lembra -se de mim?
Assustado derruba dois Macucos, e a pauta que era um Samba Sincopado, virá um Fado.

Aqui na esquina, úmida de cuspe de lua, e do suor do guarda noturno em pânico, amedrontado com o miar dos gatos estrangeiros.
Coloco na caixa de correio, um telegrama.
Nele estão anotadas todas as datas em que desovaram todos os pássaros dependurados no Pentagrama de Cláudio, coisa que eu nem sabia, que sabia.

Escuto um forte.-Boa Noite!
Olho… João Urso sangrando, acabará de extrair as unhas de todos os seus dedos e deixava atrás de si um rastro de sangue, que atraía, formigas de fogo, baratas, e saúvas.
Coloco seus pés, dentro de uma lata vazia de marmelada, e adiciono Creolina.
Segunda-Feira… virei vê-lo, digo, me afastando.
Aviso-o…e se por acaso chegar uma carta a mim endereçada, contendo a data da morte de todos os meus amigos…abra e leia.
É provável que chegue antes do Telegrama.
E por acaso o seu nome estando nela, a queime.
Ficou abalado, recitando um Salmo sobre a luz e a escuridão.

Não por acaso os Curiós saíram da pauta, para se alimentarem das baratas, saúvas, e formigas de fogo, abandonando o Sol Sustenido Maior.

A pauta em que Cláudio Reis havia criado um Fado, transformou-se em uma Valsa.
Batem a porta com força.
Saio de dentro das retinas e esfrego as mãos no dorso da minha foto de costas na Capa de um LP. De Tangos.
Boa Noite …Uma carta?
O reflexo ferido da lua, brilha no Selo.
Provavelmente deva ser para mim.
Rasgo-a nos dentes temendo que ela noticie que em Dezembro não vão parir as Sereias.
No entanto apregoa…Teremos Praga!
Do outro lado da rua, de costas, sob a chuva suja do cheiro dos Cajus.
Cláudio desenha um silêncio sem cor, e quando eu me aproximo para um abraço.
Ele pálido, finge que não me conhece.
E eu colorido de descolorido, finjo que não sou.

Texto Poético de Luiz Jorge Ferreira

 

*Do Livro…Defronte da Boca da Noite ficam os dias de Ontem.

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