Natal e outras “coisas”! – Crônica de Josimar Barros

Crônica Josimar Barros

Já quis muitos presentes em outros dezembros de minha vida. Sonhei com uma bicicleta BMX durante parte da infância e adolescência, inclusive esse ainda é um desejo que pretendo um dia realizar… Rsrsrs… Morri de vontade de ter aquele All Star azul dos anos 80, mas só pude ter mesmo uma Kichute. E como durava essa espécie de chuteira de borracha que dava um chulé medonho. Eu ralava ela no asfalto e na calçada do pátio da escola pra desgastar e, com isso, ter motivo pra pedir outro pisante, mas nada da maldita Kichute furar. A graxa também era pouca pra revitalizar ela e tinha encarar sempre outro ano de escola com esse calçado típico de meus primeiros rabiscos escolares.

Quis muito ainda uma calça US Top ou Lee. E tive essas duas calças Top (como dizíamos à época). Usadas, é bem verdade, mas tava nem aí, já que eu era um caboclo do pé rachado e tuíra que usava US Top, mano velho! Já me torci de vontade de ter um Walkman (uma espécie de toca fitas K7 portátil), um vídeo game Atari e uma viagem à Belém pra comprar coisas que só quem ia lá podia usar. Mas queria ir à Belém de avião… Na TABA pra ser mais exato, que era o avião que passava quase em cima de casa e podíamos ver o nome dessa empresa na barriga da aeronave… Mas só consegui voar muito depois – na VASP – quando a TABA já tinha entrado em falência. Para os menores de 30 anos, informo que “VASP” é a abreviação de Viação Aérea São Paulo e TABA, significava Transportes Aéreos da Bacia Amazônica, que funcionou no Amapá nos anos 70 e 80. E só fazia uma ou duas viagem por semana pra capital paraense, se me lembro bem! Então, você virava praticamente uma lenda, depois de voar nessa empresa! (risos).

E meus sonhos de ter sapatos, roupas, transporte pra me locomover só mudaram de marcas. Continuaram se sucedendo a cada Natal. Aos poucos fui beliscando um ou outro sonho pra me sentir incluído nesse mundo padronizado das grifes que te fazem falsamente se achar “gente de verdade”!

Jozimar Barros e Susanne Susi Farias (sua esposa), em uma outra época – Foto: arquivo pessoal.

Hoje aqui em São Paulo, andando de metrô, vendo prédios enormes, em meio a ofertas tentadoras de coisas de vestir e calçar, entrando em shoppings modernos e vendo tanta tecnologia típicas das megalópoles, minha mente pensa apenas no pelo macio da minha gatinha Marie, no rodopiar alegre do meu cachorrinho Chaves, no meu gramado que me dá imenso prazer em molhar.

Também nos meus tajás, na samaúma que o Gilberto Almeida e a Fatinha me deram a honra de cuidar. Penso nos finais de semana com a presença da minha mãe e meu pai, onde meus irmãos estão juntos relembrando de nossa vida dura no passado, mas que superamos, e hoje é motivo das melhores piadas saudáveis… Rsrsrs… Ah! E pense como desejo sentir o cheiro da minha amada Susanne Susi Farias e ver aquele sorriso apertado quase forçado do meu pequeno gigante Giuliano Vitor!

Caramba! Como é verdade que as coisas mais importantes do mundo não são as coisas!

E o melhor de tudo é saber que ainda tenho oportunidade de voltar pra abraçar e beijar tudo que mais amo: bichos, plantas, família e amigos! Meus melhores presentes com certeza!

*Texto reflexivo feito no final da primavera paulista de 2019…

** Josimar Barros é produtor cultural, sócio da DUAS TELAS Produções e Idéias,  fã de Rock e artes, além de apoiador de causas nobres.

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    Um punhado de boas lembranças, comuns aos da décadas de setenta e oitenta… uma pincelada profunda na memória onde as reminiscências se opõem a retirar o kchute dos pés …porquê felicidade era um artigo que nao se fazia propaganda…mas a gente ousava usar.

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