“Ninguém sabe o que mudo quer” – Crônica de Telma Miranda – @telmamiranda

Crônica de Telma Miranda

Mesmo que não existam pessoas mudas e sim surdas, cresci ouvindo uma frase que acho que falo nem que seja “de eu para mim” todos os dias: NINGUÉM SABE O QUE MUDO QUER. E assim procuro expressar, ora de forma discreta e prudente como um elefante numa loja de cristais, ora dando a deixa sutilmente para que seja captada, dependendo do destino, sigo tentando não deixar rastros de mal entendidos. Se existirem diferenças, sejam de opinião ou de qualquer outra natureza, tento esclarecê-las no momento em que nascem. Mesmo assim, sempre haverão interpretações diferentes.

A grande maioria (mesmo!) dos desentendimentos ocorrem por problema de interpretação ou falta de comunicação e quando isso acontece, o que grande parte das pessoas faz? Exatamente! Fica tentando adivinhar o que o outro está pensando. E aí começa o problema.

Um dia você chega no trabalho num dia não tão bom, tá com aquela cara de terçado, cumprimenta as pessoas do ambiente em voz baixa e aí alguém não escuta o cumprimento e fala pro colega: “Você viu? Nem falou comigo! Que será que eu fiz pra pessoa não gostar de mim?”. Aí essa mesma pessoa fica matutando isso e transforma cada atitude sua em indireta para ela e quando você percebe tem um “inimigo” no trabalho que nem sabe como isso começou. E dá um puta trabalho esclarecer/recuperar isso.

A mesma coisa acontece em qualquer grau de relacionamento, seja romântico ou fraterno. Pequenos eventos mal interpretados ou “adivinhados” se transformam em grandes conflitos que poderiam ter sido evitados se na primeira dúvida sobre a mensagem recebida nós perguntássemos se é aquilo mesmo. Gente: O ÓBVIO PRECISA SER DITO! Nem sempre o que é óbvio pra mim, é pro outro e vice-versa. Mesmo que possa ser chato, melhor chato que ter um prejuízo emocional incalculável de pôr a perder boas relações por imaginação fértil ou interpretação errada. Já vi amizades lindas acabarem por motivos banais e quando se escuta os dois lados da história percebemos que tudo poderia ter sido resolvido numa boa conversa. FALE! PERGUNTE! ESCLAREÇA! Todos só têm a ganhar.

* Telma Miranda é advogada, fã de literatura, música e amiga deste editor.

  • Já vivi na pele esse sentimiento, onde simples diálogos poderia ter evitado amizades desfeitas

  • Se não for desculpa para “encobrir ” segundas, terceiras e quartas intenções, é de fato, uma situação delicada .
    Caso contrário, defesa feia dos que procuram debitar ao próximo as suas falhas .
    Enfim, em ambos o caso , recuar é sensato.
    E faz bem pra pele!

  • ….”Pequenos eventos mal interpretados ou “adivinhados” se transformam em grandes conflitos que poderiam ter sido evitados se na primeira dúvida sobre a mensagem recebida nós perguntássemos se é aquilo mesmo.”

    O que tem me atraido no teu jeito de escrever são esses detalhes , óbvios, que , de tão óbvios, as pessoas não entendem. Bem como de o fato de teus textos terem um tema tão vasto a interpretação que pide ser aplicado em vários outros temas da vida.

    Por exemplo:

    É empresário pedindo que os músicos façam uma música wue tenha uma “nova ideia” … é a bunda que aparece maisqie o cérebro… e o dedo que escreve nais que o lápis.

    Não. Nada contra. Mas, e se os músicos insistissen em catar o amor?. E se a estética fosse privilegiada com a essência das pessoas?. E se nossos dedos deixassem de querer saber o motivo do “tapa no Oscar ” e se dedicassem a acariciar.

  • Muito interessante essa representação da falta de contato com as pessoas. Não se conversa não se aclara mas se separa.
    Cada qual vivendo sua vida ,seu egoísmo,seu egocentrismo.
    Parabéns amiga mais um excelente texto.

  • É a pura verdade muitas pessoas se preocupar com o seu esquece dos outros as vezes até de quem estar ao seu lado, infelizmente a sociedade estar crescendo com ajuda das redes sociais onde tudo acontece. Parabéns Telma sou seu fã.

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