No Amapá, a única deputada opositora à verba indenizatória de R$ 100 mil pode perder o cargo

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Desde o começo do ano, os 24 deputados estaduais do Amapá já eram os campeões nacionais da verba indenizatória. Cada um tinha direito a reembolsos mensais que poderiam totalizar R$ 50 mil. Para a mesa diretora da Assembleia amapaense, porém, esse valor não era suficiente. Em julho, os sete deputados da mesa alargaram o limite das indenizações para R$ 100 mil mensais, cinco vezes mais que o teto paulista, por exemplo. Agora, a única deputada que afirma discordar dessa ampliação pode perder o mandato. Cristina Almeida (PSB) foi notificada para explicar uma declaração dada à TV em que afirma nunca ter recebido o reembolso. Se não convencer os colegas em até 10 dias, sua cassação será votada num processo por quebra de decoro.
A autora do pedido de explicações é a deputada Roseli Matos (DEM). Ele afirma que ficou ofendida com uma declaração de Cristina veiculada no programa CQC, da Band. “Cristina faltou com a verdade quando afirmou que não recebia (a verba indenizatória), dando conotação como se fosse irregular a atitudes dos outros parlamentares que recebem, inclusive eu”.
Cristina nega ter dito ao CQC que não recebe verba indenizatória. “Eu nunca recebi no valor de R$ 100 mil”, diz. “Estão querendo desvirtuar (o que eu disse). A minha crítica sempre foi com relação ao valor da verba indenizatória.” Segundo ela, o maior gasto mensal de seu gabinete foi de R$ 50.020. O menor, de R$ 44 mil. No trecho da entrevista que foi ao ar, editado, a fala de Cristina é interrompida no momento em que ela afirma que não recebeu reembolsos. Procurada, a assessoria da Band disse não ter mais o material bruto da reportagem.
Cristina Almeida é autora de um projeto que reduz a verba indenizatória dos deputados do Amapá para o teto de R$ 30 mil. Ainda assim seria um dos mais altos do país. Perderia apenas para Alagoas (R$ 39 mil) e Maranhão (R$ 32 mil). Ela acredita que seus colegas não aceitarão suas explicações: “A resposta não será acatada, já que o presidente Moisés de Souza (PSC) tem maioria na Casa. Ele prosseguirá num processo de cassação”, diz.
A deputada não é a primeira opositora à verba de R$ 100 mil a receber ameaças no Amapá. Em setembro, o promotor de Justiça Adauto Barbosa, responsável pela Defesa do Patrimônio Público, foi processado pela Assembleia amapaense por declarar a uma rádio local que o objetivo do aumento era atender a “interesses eleitoreiros e pessoais” dos deputados.
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