No AP, projeto leva universo do circo para crianças e jovens de periferia

Por Cássio Albuquerque, do G1 Amapá

Malabares, trapézios e acrobacias acompanhados de doses de leitura e encenação foram ingredientes de uma fórmula descoberta por um grupo de atores para tirar mais de 200 crianças e adolescentes do mundo das drogas e da criminalidade em Macapá. Desde 2009, a Companhia Cangapé, através do projeto “Corda Bamba no Equador”, leva a comunidades carentes dos bairros Pedrinhas e Araxá, ambos na Zona Sul da capital, o universo do circo, da literatura e do teatro. A entidade é uma das centenas em todo país que têm apoio do programa Criança Esperança.

Rafael da Cruz, de 14 anos, faz parte do time de 100 alunos que participam das atividades do projeto. O jovem se destaca nos espetáculos de acrobacias no tecido e sonha em ser artista de circo.

“Quando eu cheguei aqui não imaginava que as atividades circenses me tirariam da rua. Tudo que eu aprendo me ajuda a ter um bom desempenho na escola. Isso acaba sendo bom para mim e para todas as outras crianças”, disse.

Mas nem tudo foi fácil, segundo a coordenadora do projeto, Alice Araújo, de 29 anos. Quando a Companhia Cangapé iniciou as atividades, em 2005, eram realizadas apenas as oficinas de teatro, que aconteciam no local onde funcionam as aulas de circo, porém, sem nenhuma estrutura.

“Eu e mais cinco atores fazíamos parte de outros grupos artísticos, mas tínhamos um desejo em comum: trabalhar com o social. Foi a partir daí que resolvemos montar as oficinas no Araxá, que é um bairro da cidade que temos muita ligação”, lembrou.

O circo só apareceu na Companhia em 2009, quando um dos integrantes da entidade participou de uma oficina na Bahia e resolveu compartilhar as técnicas circenses entre os instrutores. Eles tiveram a ideia de repassar os ensinamentos para as crianças e adolescentes do bairro, nascendo o projeto “Corda Bamba no Equador”. Em cinco anos de existência mais de 200 crianças e adolescentes passaram pelo espaço.

Os primeiros frutos foram colhidos dois anos depois. Por duas vezes seguidas, o projeto foi vencedor do prêmio “Carequinha de Estímulo Ao Circo”, da Fundação Nacional das Artes (Funarte) em parceria com a Petrobras, segundo Alice. Em 2013, o projeto foi um dos selecionados pelo programa Criança Esperança na Região Norte.

A mãe do aluno Rafael, Maria Furtado, de 36 anos, fica feliz em saber que o filho participa das atividades circenses e o apoia no sonho de ser um artista.
“Eu fico muito feliz em ver que ele e outras crianças estão aprendendo uma coisa tão linda e divertida que é o circo. Isso é uma vitória para nós pais, que lutamos todos os dias para que nossos filhos não entrem no mau caminho”, disse orgulhosa.

Atualmente, além das aulas de circo a Companhia possui um espaço de leitura, onde os alunos têm aulas de letramento, onde também é realizada sessões de cinema. Uma ação será feita neste sábado (16) para celebrar os 29 anos do Criança Esperança.

“Hoje contamos com mais de 20 voluntários e conseguimos retomar as oficinas de teatro, que deu início a tudo isso. Tivemos o primeiro aluno do projeto que passou na Escola Nacional de Circo. Isso foi uma verdadeira conquista tanto para nós que fomos pioneiros, como também para a comunidade que acolhe com muito carinho as nossas ações”, contou Alice.


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