No túnel do tempo – Por @MarileiaMaciel (Égua-moleque-tu-é-doido)

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Foto: blog Porta-Retrato

Por Mariléia Maciel

Finalmente voltei no tempo, mas nada de namorinhos, nem cola pra passar de ano, ou festinhas, tertúlias e pileques, mas sim, para uma época em que água e energia eram artigos de luxo.

De sábado pra cá foram mais de 20 vezes sem energia. Voltamos ao racionamento que deixava a cidade, pedaço iluminada e outra não, depois revezava. O jeito era usar velas ou puxar com extensão um bico de luz da casa mais próxima que tinha energia. A diferença é que o calor ainda não era esse com a temperatura do inferno, e podíamos dormir com as janelas abertas e sem mosqueteiros, porque os carapanãs não transmitiam doenças mortais, e até na frente da casa sem cerca elétrica, pois os ladrões eram mais tímidos.

24h sem água, e moro na baixada do Laguinho, que no passado teve esse manancial e já foi Poço da Boa Hora e área do Poço do Mato. Me vi dona de casa antiga, carregando baldes que ficam mais de uma hora pra encher, mas a água que sai não é transparente, como antigamente, e sim barrenta, quase um todynho. Voltamos àquele tempo em que andar com kit banho pra um lado e outro, jogar água no vaso do banheiro, e ficar com dor nas costas de tanto carregar balde era normal.

Aguardo agora a hora do anúncio no rádio, dizendo que pra comprar mantimentos tenho que esperar a Cobal abrir, entrar na imensa fila e comprar comida racionada. E também o caminhão do gás passar, com a musiquinha fanha, porque não tem entrega em domicílio, e o carro do sorvete, pedindo pra trazer a vasilha.

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