Sobre a Batalha de Confetes, Afoxé, Elton Tavares e preconceito – Por @MarileiaMaciel

 

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Por Mariléia Maciel

Tradicionalmente a Confraria Tucuju realiza uma das melhores festas de carnaval de Macapá, a Batalha de Confetes, onde todo mundo pode participar e dançar as marchinhas de carnaval de salão, sambas de enredo, fantasiados ou não, com família, amigos ou sozinho, o palco é dividido entre músicos e crianças, sem violência nem confusão. E foi atrás disso que o público foi novamente para o Largo dos Inocentes neste domingo (7), pra escutar marchinhas de carnaval, dançar muito e levar a garotada pra se divertir em uma das raras festas de carnaval para eles, a custo zero.

A Confraria emprestou seu nome e para o evento da Embaixada de Samba Cidade de Macapá, e fez-se a segunda Batalha de Confetes deste ano. Fui convidada para fazer a assessoria de imprensa e aceitei, adoro este trabalho. Sucesso de público, mas no início as músicas não estavam agradando, e muitas (muitas mesmo) pessoas reclamaram que queriam dançar marchinhas e não a “metralhadora” nem “muriçoca”. Eu mesma falei com o Egídio e Mariana Gonçalves sobre isso, e eles, muito gentilmente, atenderam ao pedido. Grupo de pagode, banda saka-rolha e o bloco Afoxé , Val Milhomem, eram as atrações da noite. O bloco, muito bonitinho e simpático por sinal, entrou no intervalo do pagode, e inicialmente o povo, embalado pelas músicas anteriores, entrou no clima, mas depois foi cansando, e a reclamação foi quase geral. Mas tenho certeza que não se tratou de retaliação, preconceito ou falta de conhecimento da cultura afro dos que reclamaram, é que o público foi dançar carnaval tradicional. Simples.

Por insatisfação, muita gente parou de dançar e começaram a reclamar, mesmo, inclusive no meio em que eu estava, com muitos jornalistas e pessoas que formulam opiniões, além de autoridades. O jornalista e blogueiro Elton Tavares, foi “uma” das pessoas que pediu carnaval, e comentou, alto, mas sem desrespeito, que o bloco poderia esperar o Mês da Consciência Negra chegar pra fazer o show. Somente isso. Eu e outras pessoas que estavam ao lado somos testemunhas. Elton Tavares é uma pessoa muito querida e do bem, gozador, mas incapaz de fazer qualquer comentário preconceituoso. Seu blog é um dos poucos que abrem espaço para divulgar cultura, é um canal importante e relevante (centenas de acessos diários) onde divulgo o Ciclo do Marabaixo, Encontro dos Tambores, Mês da Consciência Negra, festas tradicionais, carnaval, e tudo o que assessoro relacionado à cultura afrodescendente. Além de ter orgulho de ser negão, ele gosta e divulga essa cultura.

Vi e ouvi algumas pessoas dizendo que ele é preconceituoso, que não conhece a história, que não respeita a cultura negra e outras manifestações absurdas e desnecessárias, e o pior, a maioria sem fatos verdadeiros, muita imaginação. Um linchamento público baseado em inverdades. Li até que ele gritou com ódio, humilhou, que saiu escondido escoltado por amigos. Não aconteceu nada disso. O Elton, filho de negro, orgulhoso de suas raízes, folião que ama o carnaval, foi embora porque estava desde cedo peregrinando em festas com o sociólogo Fernando Canto, vestido de Rei Momo, eleito pela categoria de jornalistas para ser o rei do nosso bloco da imprensa. Está se recuperando de uma espinha carnal que nasceu em seu nariz, e a cerveja fez o remédio perder o efeito. Se despediu e saiu pra comer um lanche antes de ir pra 10380275_743295869056780_5515520119176627052_n-300x197casa.

Estou defendendo um amigo, sim, mas acima de tudo, defendendo a verdade, contando o que de fato aconteceu. Todos sabem do meu compromisso com as tradições e cultura afrodescendentes, sou apaixonada por tudo relacionado, curto, escrevo e assessoro com prazer, mas não posso deixar de contar o que de fato aconteceu. Assim como os que estavam presentes e viram o que de verdade aconteceu, sou solidária ao Elton Tavares.

  • Não vi nada do suposto acontecido. Mas como amigo do Godão não posso deixar de externar à ele meu apoio e repudiar essa tentativa de lixamento moral. Em tempos de pseudos politicamente corretos, a sinceridade pode ser perigosa. Mas racista, isso Godão não é! Parceiro, estou contigo e boto toda fé em você. Tua conduta como colaborador Sá cultura amapaense fala por si. O resto, é resto.

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