O assalto no campus Marco Zero – Conto porreta de Fernando Canto

Conto de Fernando Canto

Um ar de tranquilidade pairava na Universidade no entardecer daquela quinta-feira, véspera de feriado. Eu precisava retirar uma grana do caixa eletrônico instalado no prédio da reitoria para poder viajar com a família ao terreno que temos em Ferreira Gomes.

Pensando nisso fiquei na fila aguardando a minha vez, enquanto colegas de trabalho, sorridentes, desejavam bom feriadão uns aos outros.

Ao chegar minha vez fui surpreendido com um objeto frio na nuca antes de colocar o cartão na máquina. Eu me voltei e um sujeito corpulento me empurrou e disse:

– Não me olha, filho da puta. Encosta ali no canto que a gente vai explodir essa porra.

Tive que me deitar no corredor onde a vigilante que minutos antes trocara de turno jazia sobre o balcão de informações com a garganta cortada, ainda em convulsão. Ouvi ruídos e em seguida uma explosão que rebentou toda a máquina. Quatro bandidos apanharam o dinheiro rapidamente e saíram correndo para um carro que os esperava. Atiraram na cabeça do vigilante instalado na guarita do portão de entrada e feriram, atirando a esmo, dois estudantes que chegavam para o turno da noite. Fugiram na direção de Fazendinha pela Rodovia JK, perseguidos pelo carro do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar que havia sido informada do roubo e das mortes.

Mais tarde, quando depunha na Delegacia de Roubos e Furtos, ainda surdo com o barulho da explosão, soube pelo plantão da TV que na fuga desesperada eles foram atropelados e esmagados por uma carreta da AMCEL carregada de eucalipto, lá em Santana. Os cinco bandidos morreram na hora. Viraram farelo dentro de uma lata. Segundo o repórter, um deles era de Mazagão e os outros vieram do sul do Pará.

Mesmo refeito do susto eu não quis mais ir para o terreno da família. Mas no domingo… No domingo não resisti e fui ao bar do Abreu. Bebi pra caralho e vibrei com a vitória do Flamengo sobre o Vasco, coisa que os assaltantes filhos de uma égua não iriam assistir nem no inferno. Égua! Mas o barulho de cada foguete explodindo lá fora me lembrava da porra do assalto. E o campari no copo era igual ao sangue esvaído da vigilante estrebuchando ao meu lado.


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