O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

                                                                                 Por Lúcio Costa Leite

 
Alguns filmes são experiências tão pessoais quanto desconcertantes,  são diálogos e cenas que parecem, diametralmente, feitos e escritos como se propositalmente quisessem nos atingir.  Esse é o caso do filme “O Escafandro e a Borboleta”, produção francesa dirigida por Julian Schnabel, que na época de seu lançamento, recebeu várias premiações.
O filme narra a história real de um editor da revista Elle, Jean-Dominique Bauby,  após um derrame cerebral cuja conseqüência principal foi a perda de todos os movimentos do corpo, exceto o do olho esquerdo. O excepcional é que mesmo dentro das limitações físicas imprimidas pelo incidente, o protagonista da história conseguiu ditar um livro usando apenas o movimento do olho.
 O filme tinha tudo para ser um drama-doença sobre alguém acometido por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), mas a centra-se nas dificuldades de comunicação do protagonista, fazendo do filme um legítimo ensaio sobre a linguagem, o expressar-se.
 O drama é angustiante, mas assinala um aprendizado para a reflexão das paralisias que nos assombram mediante as dificuldades O trecho abaixo é a transcrição de um dos monólogos do filme:
“Hoje, sinto que minha vida é uma série de frustrações. Mulheres que não fui capaz de amar. Oportunidades que não soube avaliar. Momentos de felicidade que deixei escapar. Uma corrida cujo resultado eu conhecia de antemão, mas falhei em escolher o vencedor.Tenho sido cego e surdo ou os duros golpes me fizeram descobrir minha verdadeira natureza”.
Meu comentário: Este filme, muito bem descrito pelo meu amigo Lúcio, é uma lição de vida. Com um roteiro firme e sacadas incríveis do protagonista. No meu caso, me fez pensar em quem nos ama de verdade, pois quando Jean-Dominique Bauby estava enfermo, quem se importou com ele foi sua ex esposa e não sua namorada (pivô de sua separação). O filme é lindo, eu recomendo.
Elton Tavares
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