O pânico

                                                                                                   Por Cybelle Andrade

Centro comercial de Macapá, não existe estacionamento decente, temos problemas de sinalização e falta boa vontade, coisas que tornam nosso trânsito caótico – Foto: Elton Tavares

Nesta página, escrevo um pouco de tudo, coisas minhas, poemas e textos de amigos. A amiga Cybelle Andrade escreveu um texto sobre o caos que é o trânsito de Macapá, aí está:

O pânico

Começa um dia lindo, acordo relaxada, sento-me à mesa com a família, tomo meu café, quem sabe leio um jornal e, entro no carro para enfrentar o batente às 7:30h. Não sei para outras pessoas, mas as piores horas do dia são as que tenho que trafegar em meio ao caos, tumulto e desrespeito, causados pelos, nada pacíficos, motoristas da city. É um verdadeiro suplício.

E é um xinga-xinga, palavrão, olhares venenosos, preconceito com as mulheres e idosos no volante, às vezes, confesso, até de minha parte também. A impaciência e “barberagem” levam a transtornos diários que nos estressam e, em alguns casos, levam-nos a perder a cabeça.

Outro dia, o malabarismo de um senhor, completamente embriagado, em meio à via pública movimentada, não me deixou outra saída senão atropelá-lo. Não tive tempo de frear, não tive opção na puxada de direção. Ou eu, ou ele. E acreditem, quando fui socorrê-lo ele me falou que estaria tudo bem se eu apenas desse “a do duelo” pra ele. Levando-o ao hospital, eu e meu irmão tivemos que segurá-lo para que ele fosse atendido, pois queria fugir da casa de saúde.

Minha mãe é minha companheira de aventura todos os dias e penso que ela aprendeu a dirigir só de me ver gritando por causa dos erros dos outros. Ela também se estressa muito e comemoramos aliviadas, sempre que chegamos em casa. No trânsito, tento ser a mais politicamente correta possível, odeio carros que param em cima da faixa de pedestre, pois quando desço do meu carro também passo a ser uma.

Odeio a “piracema” de motos que ultrapassam e trafegam pela minha direita. Odeio ciclistas na contramão. Odeio ônibus na faixa esquerda. Odeio veículos com os faróis queimados e apagados, principalmente os traseiros. Odeio quem pega “rabo” de sinal. Odeio quem não sabe sua preferência e me faz esperar um tempão. Odeio quem não dá passagem. Odeio as buraqueiras e bocas-de-lobo das ruas, elas já me trouxeram prejuízos que em soma, daria pra comprar um carro novo. Odeio a falta de lugar para estacionar no centro comercial. E isso ainda é pouco, tem coisas bizarras que vejo diariamente por aí.

Parece que aqui em Macapá, quando as pessoas entram em seus veículos, estão preparando-se para entrarem numa arena de gladiadores. O coitado do pedestre até estranha quando param pra ele atravessar, nem está acostumado com respeito, pois geralmente tem que se lançar correndo entre pistas e carros.

E assim, entre um rush e outro, vai-se o dia. De volta ao “lar, doce lar” nos preparamos para o dia seguinte, e haja mantra.

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