O show do Biquini Cavadão foi o melhor no Amapá

Tomado por frustração, critiquei ontem mais um show de axé em Macapá. A falta de boas atrações (de fora do Estado) na capital amapaense, para o público pensante, é latente. Eu fui a vários showzaços em Macapá, Titãs na Chopperia da Lagoa, Lô Borges (também na Chopperia), Nando Reis (na Fazendinha e no Ceta Eco hotel), Lobão e Capital Inicial (em edições distintas da Feira Agropecuária), Autoramas (nas três vezes que eles vieram aqui), etc. Mas nenhum show no Amapá se compara ao do Biquini Cavadão, em dezembro de 2006, em Santana.
A apresentação da banda, que foi contratada pela Prefeitura daquele município para a festa de aniversário da cidade, foi emocionante. Fui de buzão, uma verdadeira missão, mas valeu à pena. O Biquini tocou todos os seus sucessos e alguns covers clássicos do rock nacional e internacional. Meu amigo Ewerton até subiu ao palco e cantou com os caras. O ápice da apresentação foi a execução da música “Timidez”, grande hit da banda.
É disso que sinto falta, shows de rock (de qualidade). Tudo bem, volta e meia vem os “Zumbidos do lado B”, alguma “ascendente banda” do circuito underground (risos). Mas eu sou da antiga, eu gosto de som novo e também das velhas. Bandas que ainda são muito boas e que poderiam tocar em Macapá ou Santana.
Fica a dica para o empresariado amapaense, já temos público para isso, basta ser showzão. Sobre a apresentação do Biquini Cavadão, leiam o que o Bruno (vocalista da banda) disse sobre o show de Santana.
Um Show Na Linha do Equador (depoimento do Bruno, vocalista do Biquíni Cavadão)
O Amapá sempre me fascinou. Primeiramente pela sua característica geográfica, na foz do Amazonas, o tal Oiapoque que a gente aprendia quando criança como sendo o extremo Norte do país (estudos hoje dizem que Roraima é que detém este marco) e o fato de ser a capital que ficava na linha do equador.Em 1992, estivemos em Macapá. Lembro-me como se fosse hoje. Um bandeirante bimotor fez o trajeto Belém Macapá por duas vezes para que nossa equipe toda chegasse. Eu, Coelho, e mais alguns da banda fomos antes.
Ao chegarmos à cidade, tivemos tempo de visitar a fortaleza que estampa a bandeira do estado e que vale a pena conhecer. Também fomos ao Marco Zero. Onde um imenso monumento indica a passagem da Linha do Equador, separando o estado nos hemisférios Norte e Sul.Aproveitando-se desta característica ímpar, O Zerão, estádio de futebol da cidade, também divide o campo entre Norte e Sul!
Pois bem, lá estávamos nós quando ouvimos no parque o barulho de um aeroplano, destes que são controlados por controle remoto. Olhamos pro céu e vimos um aeromodelo rasgando o céu a poucos metros de nós. Coelho, distraído e míope como é, nos perguntou se já era o pessoal chegando. “Será que são eles?” Só o técnico de som havia ouvido e ele começou a rir. Diante do vexame, ele pediu: “não conta pra ninguém…”, mas nosso técnico na época não fez por menos e abriu a boca pra todos rirem muito!
Quatorze anos depois, lá estávamos nós a caminho do Amapá novamente. Uma viagem demorada, saindo de São Paulo com escalas em Brasília e Belém. Uma noite virada e eu totalmente sem voz. O show no ginásio em Poços de Caldas havia me criado um cansaço vocal imenso, aliado a duas noites sem dormir (dormir bem é fundamental para ter boa voz). Para piorar, meu assento não reclinava. Foi uma viagem do cão! Quando chegamos a Macapá, o que restou de mim mal conseguia falar o básico. Havia ainda um almoço gentilmente oferecido pelo prefeito de Santana, onde faríamos a festa pelo aniversário da cidade.
Foi preciso declinar no convite. Todos foram menos eu, que entrei no quarto e só não apaguei direto por que encontrei uma baixela de frutas como boas vindas e achei melhor comer algo, especialmente as acerolas. Nunca havia provado assim, somente em polpa e estavam saborosas. Não por menos que elas são chamadas de ‘cerejas do Suriname’. Ao acordar, já havia melhorado sensivelmente minha voz. Com um pouco de exercícios fonoterápicos, consegui me preparar para o show desta noite.
A praça estava lotada e nós todos muito animados. O show encontrou um público muito receptivo, ainda que tenhamos sido avisados que rock não é a música principal que se toca na região. De todo modo, todos dançaram e participaram. Mais uma vez, uma criança marcou o show. O menino estava no ombro do pai e eu o chamei para conhecer o palco conosco. Ele olhava todos tocando e se agitava muito, ainda que não soubesse cantar conosco. Fez a maior festa e levantou a galera.
Ao final do show, agradecemos a todos pelo carinho. Sabíamos que a temperatura é mais elevada na Linha do Equador; hoje tivemos a confirmação do fato e sua principal causa: o calor é humano!
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    Eu lembro exatamente desta noite…Era meu aniversário e fomos de ”coletivo” pra Santana. Chegando lá tinha malacos pra toda parte; a recepção perfeita.Qdo o show começou tudo valeu a pena..e como a alma NUNCA FOI PÉQUENA..RS, lembro da gente se olhando sentindo um arrepio saudoso na hora da música timidez…Porra, mano..nunca vou esquecer….
    Hoje qdo olho pra minha filha, que marca um ciclo da minha vida, penso: ”Já fui em show em vários estados, já ví mto show bom mas digo q igual a este não tem.. e eu espero q qdo ela cresça viva coisas como estas, como esta noite especial.

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    Engraçado, lembro do show, lembro que seria num final de semana, recebi o convite para entrevistar o grupo, para acompanhar o almoço, para ver o show, mas por algum motivo que me foge a memória agora, não pude ir…
    E vendo no álbum do nosso amigo em comum, Ewerton, lembrei mais uma vez o quanto fui burra e não fui…
    Hoje ouvindo feito louca, o DVD cuja capa moldura teu post, voltei a pensar…a pensar que canto, choro, reflito com as músicas do Bikini, e que acabei perdendo uma ótima oportunidade de ter mais uma história para contar na vida…
    Adorei teu espaço viu…genial

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    eu lembro que o vocalista do bikini disse durante o show que o prefeito de santana era o prefeito mais rock and roll que ele já tinha visto…bem, alguns anos se passaram e ele provou ser bem mais que isso…black metal talvez…daqueles bem assustadores…pq é esse o clima que vc encontra andando nas ruas de santana…um clima bastante assustador…quando a noite cai não acende nenhuma luz…durante o dia a cidade parece mais um daqueles vilarejos de filmes B de faroeste sem cavalos..e sim com bicicletas…e mesmo de bicicleta, que tem as rodas alinhadas e não paralelas, é dificil não cair em algum buraco…os buracos são tão grandes que quando vc acha que tá caminhando em uma superfície plana…na verdade vc está dentro de um buraco…realmente impressiona!! impressiona tanto, que quando vc volta pra macapá, a sensação que vc tém, é de que chegou numa “cidade” digna de ser a capital de um estado…mas isso não passa de uma breve sensasão..fica aqui a minha dica pro prefeito comemorar o proximo aniversário da cidade de santana com um show do cradle of filth ou dimmu borgir…eles não precisam nem trazer o cenário..pq o cenário de horrores já tá mais do que formado…agora falando de shows no estado..o melhor que eu vi, e o elton só não concorda comigo pq ele não estava lá, foi o zeca baleiro na fortaleza de são josé…foi um belo show…

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    Vivo em plena espctativa…to sempre imaginando quando será a próxima rockada (pelo visto a próxima será promovida por mim e amigos rsrs). Aquele dia preparava algo de especial pra mim. Eu estava escalado pro trampo, e tu sabes onde meu amigo, era quase impossivel uma liberação mas consegui nos 45′ do 2º tempo, foi foda! Tive que me comprometer por mais 72h de serviço a cumprir do término do show…rsrs o que não se faz pra assistir um show de Rock…
    Fui acompanhado de minha esposa e um casal de amigos, fomos cedo pra garantir um lugar bem proximo do palco. Prefiro assim porque a interação é maior com a banda. Cantava todas as musicas, sou um maluco por rock nacional e biquini foi a segunda banda que conheci aos 15 ou 16 anos. Do nada o Bruno fala: “Ei você, sobe aqui”. Olhei pra um lado e outro e não acreditei que era comigo…o cara me chamou pra cantar “No mundo da lua” subi tentei cantar…deu branco rsrs..foi foda!!! Mas valew! Rachei o cranio de tanto trampo depois, sem falar na encarnação dos milicos..rsr…diziam que pulei no Bruno e disse: “Bruno!! eu te amo” kkkk foi um preço que pagaria cada centavo pra viver novamente!
    Assisti em macapá:Lulu Santos o qual tive o privilégio de bater um papo antes do show ainda no Ceta, Engenheiros (90 acho)na ASEL, Titãs na lagoa, Ira!, Paulo Ricardo, Marina …no Rock in equador…faz tempo pacas!! Nós sofremos muito com essa porra loca de que “não existe público pro rock”.

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