Os anos 90, amizade e a mudança de atitude


Às vezes, me pego lembrando a minha vida durante a década de 90. Época vivida intensamente.  Minhas lembranças são nostálgicas, verdadeiras declarações de amor a minha existência. Tempos de autoafirmação. De acompanhar a moda (aquela presepada que a molecada e alguns adultos patetas praticam, que é o péssimo hábito de se vestirem iguais aos outros e ainda se acham ultra descolados e originais, ledo engano). Disso, não sinto saudade, mas lembro bem.

Então era 1990, eu acordava cedinho, tomava banho, vestia minha camiseta branca, calça begue e tênis Redley. Tinha 14 anos e cursava a sétima série do então Segundo Grau, hoje Ensino Médio, no Colégio Amapaense. 

O velho C.A. era a “escola padrão do Amapá”, de acordo com as palavras do diretor da época, o professor Edézio, aquele velho é paidégua. Por lá fiz amigos que convivo até os dias de hoje. Um monte de gente finíssima. Figuras como Walbene Gomes, Klinger Oliveira, Edmar Santos, Hélder Eugênio, Venílson Nobre, Alessandro Rigamont  e Lígia Cândido. Eu era menos experiente e muito mais magro. Sempre fui desengonçado, mas sempre me juntei aos malucos e aos malandros, nunca formei com os narizes empinados, pois nunca suporte frescura ou gabolice. 

Gazetávamos aula e íamos beber no Xodó. Escutávamos todas as histórias que velho Albino, proprietário do extinto bar, contava. No mesmo período, tomávamos cachaça na Praça da Bandeira e banho no Rio Amazonas na ponta do velho trapiche Eliezer Levi. Aos domingos, lanchávamos no Tom Marron, andávamos de um lado para o outro na frente do Novotel e íamos ao Star Night Clube .


Nos anos 90, fui a festinhas nas casas dos amigos, feiras de ciências, tive paixões platônicas, discos de vinil, fitas K-7, VHS e a velha vadiagem adolescente. A década também trouxe amigos como Rita Freire, Rebecca Braga, Ricardo Araújo Antônio Malária, Amaral Junior, Anselmo Cabeça, Marcelo Guido, a turma da piscina Olímpica, a galera do Rock….grupos e mais turmas. Época de impulsos, precipitações e loucuras. Sim, sensatez era outro departamento. 

Eu e meus amigos éramos um bando de sacanas inseparáveis, adorávamos cervejas enevoadas, bares esfumaçados e boas brigas (ainda gosto). Totalmente descompromissados com o convencional.  Uma turma de bebuns respeitada nos melhores e piores botecos da cidade.

Perdi o contato com muitos deles, com a maioria, só me relaciono pela internet. Agora, todo mundo está a caminho dos 40. Os anos, as músicas, os filmes e, sobretudo, os livros, fertilizaram minha mente e ajudaram no amadurecimento. O mesmo aconteceu com a velha turma, que toca a vida da melhor maneira possível. 


Fico com pena de uma minoria de amigos e ex amigos daqueles tempos, os quais não citei aqui e que parecem ter parado no tempo. A verdade é que aqueles caras e meninas não continuaram seus estudos, preferiram seguir na esbórnia, pensavam que a festa nunca ia acabar. Achavam queia enriquecer num passe de mágica. Eles nunca arregaçaram as mangas e foram a luta. 

Pensam que foram felizes somente naqueles dias. Isso me lembra uma música do U2: “Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of”  (Preso Em Um Momento Que Você Não Pode Sair).Por isso, estão infelizes hoje em dia. Alguns por falta de grana, outros por não serem reconhecidos, por trabalhar em áreas que detestam ou estarem desempregados. Mas ainda torço por eles, até mesmo pelos que não são mais meus amigos. 

“Você tem que se endireitar
Você se prendeu em um momento e agora você não pode sair dele
Não diga que depois vai estar melhor agora que você está presa em um momento
E você não pode sair dele” – Trecho da canção “Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of

Todo mundo que me conhece há anos, sabe a “peça rara” que fui nos anos 90. Não que hoje em dia eu seja politicamente correto, longe disso. Só tento fazer as coisas direito, trabalho muito e não me meto onde não sou chamado. 

Esse papo é só pra fazer  você, que costuma dizer que era feliz e não sabia, entender que pode se dar bem agora. Mas precisa tomar um rumo, assim como Mark Renton no final do filme Trainspotting. Fica a dica.  

Elton Tavares

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