OS SOCIÓLOGOS E O MERCADO DE TRABALHO – Crônica de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Compartilho da preocupação dos alunos dos cursos de Ciências Sociais (Bacharelado e Licenciatura) das faculdades do Estado do Amapá. Suas inquietações não são hoje mais do que intelectuais e acadêmicas, mas de sobrevivência. Os formandos estão na expectativa de concursos públicos, principalmente na área da docência, visto a obrigatoriedade do ensino da Sociologia nas escolas. Porém, muitos sociólogos também tecnicamente bem preparados que se formam em outros estados voltam para cá com o mesmo objetivo, encontrando, todavia um mercado que não se abre facilmente devido à concorrência com profissionais de áreas afins.

Embora o momento seja de crise e recessão, o mercado empregador se movimenta de acordo com as decisões políticas e as intervenções econômicas, podendo crescer ou se retrair. E é nessa hora que surgem as oportunidades de se ampliarem as condições para a absorção do sociólogo em muitos ramos do conhecimento e de atuação de governos e empresas. O profissional da Sociologia aprende a ser criativo na adversidade e pode usar seus conhecimentos teóricos para resolver problemas que se avistam ou que já estão incrustados na realidade. Além do Estado e do Mercado hoje se vê sociólogos trabalhando ativamente no Terceiro Setor, através de gerenciamento de projetos, que é um conjunto de conhecimentos e ferramentas capazes de contribuir para o alcance de objetivos propostos em um esforço temporário, onde os recursos são sempre limitados, onde uma idéia é transformada em plano de trabalho para gestão, comunicação ou captação de recursos entre parceiros envolvidos. As ONGs e OSCIPs, apesar de trazerem o estigma da “picaretagem” têm um grande potencial de mercado de trabalho no Brasil.

Em todas as faculdades o curso de Ciências Sociais dá uma formação generalista, portanto cabe a cada um especializar-se onde quiser, mas que se volte para uma formação mais empreendedorista e em projetos e pesquisa. Não se pode deixar de lado o investimento em idiomas e informática e a atualização na internet. Deve-se tentar entender a realidade como sociólogo e para tanto, quem procura emprego na área, tem que correr atrás de atividades correlatas, como por exemplo, entrevistador, tabulador, assessor e outros. Militantes xiitas de academias estão com os dias contados face os novos tempos.

A Sociologia abrange várias áreas humanas, desde as relações familiares às organizações de grandes empresas, desde o papel da política na sociedade ao comportamento religioso. Interessa a administradores, políticos, empresários, juristas, professores em geral, publicitários, jornalistas, planejadores, sacerdotes e ao homem comum. Entretanto não explica – e nem pretende explicar – tudo o que ocorre na sociedade, pois muitos acontecimentos humanos fogem a seus critérios (Ver revista Sociologia nº 7.)

A profissão de sociólogo foi reconhecida em 11 de dezembro de 1980 após a Lei nº 6.888 (sancionada pelo então presidente João Batista de Oliveira Figueiredo no dia anterior) ser publicada no Diário Oficial da União. A lei assegura aos profissionais, nos termos da legislação complementar, a docência de sociologia e as sociologias especiais nos três níveis de ensino no país. Em 1983 o Ministro do Trabalho Murilo Macedo edita a Portaria nº 3.230 de 15 de dezembro daquele ano, que enquadra a profissão de sociólogo no 31º grupo da Confederação Nacional dos profissionais Liberais –CNPL. Em 1984 a profissão é regulamentada pelo Decreto nº 89.531 de 05 de abril, publicado no Diário Oficial da União no dia 09 de abril. No Amapá um grupo de sociólogos fundou a sua Associação em 1985, tendo como primeiro presidente o sociólogo Nelson Souza. Atualmente está desativada.

*Republicado por conta do Da do Sociólogo.

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