PAIXONITE – Crônica de Anne Elizabeth Siqueira

Crônica de Anne Elizabeth Siqueira

Existe aquele brilho, aquela faísca que ofusca, aquela luz que cega momentaneamente e impede de ver com clareza aquilo que está bem à sua frente. A paixão é essa luz.

Quando apaixonado, você está sob holofotes, essas luzes cegantes que os helicópteros de busca usam para achar bandidos embrenhados no mato. Você não enxerga nada, nada mesmo. Nem mesmo o objeto da sua paixão você enxerga com clareza. De certa forma, é como se a luz emanasse dele e não permitisse a você ver nada além de seus contornos fluorescentes. Parece um anjo vindo em sua direção, a salvação de todos os seus problemas. Aí mora o verdadeiro perigo: parece um ser perfeito. Parece…

A paixão é um processo químico. Os feromônios, e coisas do tipo, afetam o seu cérebro e dão um curto-circuito no Tico e no Teco. Eles ficam com corações palpitantes no lugar dos globos oculares e têm uma forte tendência a dizer “sim” a tudo o que o objeto da sua paixonite pede.

Mas, calma! É comprovado, cientificamente, que a paixão tem prazo de validade. De um modo geral, ela dura até dois anos, podendo um bom samaritano quebrar o feitiço antes, depende da força do encanto que o apaixonante põe sobre o apaixonado.

Então, se você sente alguns sintomas (como achar que o(a) seu(sua) amado(a) é perfeito(a) e adquirir a perigosa tendência a dizer “sim” a tudo o que ele(a) pede, e coisas do tipo), tenho duas notícias pra você:

1. É uma cilada, Bino!

2. Não se desespere, vai passar (em até dois anos, mas vai passar).

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