Pensando bem…

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Paro para pensar e penso que na minha aldeia há um dito: não se deve parar para pensar, mas continuar andando enquanto se pensa, porque isso é pensar: colocar o lado de dentro da cabeça em movimento.

Então, sigo pensando e passo a pensar que passei muito tempo da vida só pensando. Todas as pessoas da cidade trabalhavam. Ou saíam paras as danceterias. Ou praticavam algum esporte. Ou simplesmente jogavam conversa fora. Enquanto isso, eu só pensava. Pensava nessas pessoas todas se movimentando pelos lugares que citei acima. Ou pensava nesses lugares sem as pessoas. Ou as pessoas fazendo coisas em outros lugares.

Poderia até pensar que perdi tempo pensando e que poderia juntar ação ao pensamento e fazer como a maioria dos mortais: viver. Mas posso também pensar que tempo nada significa para quem pensa, já que quem pensa pode muito bem pensar em parar o tempo. Ou destruir tudo o que é real e construir um mundo só de pensamento. E, como se trata de pensamento, tudo é possível.

Certa vez, fui assaltado pelas ideias mais loucas. Estava eu dormindo tranquilamente, eis que as ideias chegaram. Com armas pesadas nas mãos, elas gritaram: isto é um assalto! Não se mexa! Você é todo nosso! E entraram por meus olhos, pelo nariz e pela boca, invadiram todos os poros, os condutos dos cabelos, e chegaram até os neurônios. Essas ideias, embaralhadas dessa forma, passaram a ser outro tipo de pensamento: o sonho, que é o pensamento de quem dorme. É a forma que o pensamento achou para continuar existindo quando, supostamente, a cabeça está descansando, em stand by. Ah, sim! E por falar em stand by, é hora de dizer bye-bye. Dá licença que eu vou pensar, que é o que todo mundo deveria fazer. Mas pouquíssima gente faz.
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