Poema de agora: A CAIXA – Ori Fonseca

Ilustração: Pandora. Óleo sobre tela, de John William Waterhouse, 1896.

A CAIXA

Eu te esperei, Maria, à exaustão,
O cuco ficou rouco e enlouqueceu,
Aquele quarto que era teu e meu
Viaja perdido noutra dimensão.

Sumiste, aproveitando a escuridão,
E desde então, mais nada amanheceu,
O galo se calou, o Sol morreu.
E a Terra se afogou na solidão.

Eu te esperei, Maria, noite afora
E te esqueci num sonho de revolta.
Que a corrente do tempo prende e solta.

Mas cá estou eu na caixa de Pandora:
Se a noite escura te levou embora,
Quem sabe o dia te trará de volta.

Ori Fonseca

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