Poema de agora: A cidade e o progresso invertebrado – @juliomiragaia

A cidade e o progresso invertebrado

Vi brotar do peito da cidade
Balas perdidas, execuções
Prédios limpos, cercados por
Escassos esgotos que deságuam
Canhotos e asmáticos
Na boca do rio
Mais amazônico da Terra

Vi dormir nos braços da cidade
Os sonhos de uma criança pedinte
O cansaço dos ônibus lotados
E o cansaço das pessoas
Igualmente lotadas
Endividadas, tristes
E perdidas

Vi sorrir na boca da cidade
Um sol ranzinza e pterodátilo
A colher pelas ruas e pelos ventos
Pedras tímidas de futuro

Vi sorrir um velho livro invertebrado
Enquanto chove nos quintais
Quentes de janeiro
Que anunciam o carnaval

Júlio Miragaia

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