Poema de agora: A espera dos barcos – Júlio Miragaia (@juliomiragaia)

Foto: Júlio Miragaia

A espera dos barcos

Para Angelica Medeiros
I
Há algum tempo,
Os barcos se lançaram
Do vazio dos peixes
E do cio das solidões.

Aportaram
Na calmaria dos mururés,
Um vindo do norte
E outro vindo do sul.

Aportaram,
Enquanto as chuvas
Não paravam de cantar,
Em estação interna.

Ancoraram
Carregando histórias,
Frutos e exílios
Na secura do lago.

II
Esperam pacientes,
Em seus corpos anfíbios,
O sol de julho
Dentro dos corações.

E as pescarias que se anunciam
Com os ventos indomáveis
Vindos das águas
E das matas do futuro.

Júlio Miragaia

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