Poema de agora: À minha rosa tola – Jaci Rocha

À minha rosa tola

Ah! Flor egoísta do meu amor
Mora ali, bem aqui, longe,longe
Noutro planeta

Tola, finge que nem gosta de mim
Que de tão frágil, não pode sentir o vento
Não se deslumbra com milhões de sóis que nascem
E se despetala quando falo em cometas…

Ah! flor egoísta e frágil do meu amor…

Eu viajo, penso nela, conheço a terra,
piso nas areias de minha própria solidão
Giro mundos e aprendo que, ao olhar para o milho
Recordo, por encanto, de um amigo…

Ah! Na terra, tu nem sabes
Mas tem mais de um milhão iguais a ti
Tão perfumadas e brilhantes quanto tu
Mas é a ti que amo,

Flor egoísta e tola do meu amor…

Eu viajo, pouso em outros mundos
Conheço reis sem súditos
e bêbados envergonhados
E até um aviador num grande pássaro

com o motor quebrado…

Mas eu te levo, em toda tua exuberância
e vou a cada lugar falar em ti
preciso que saibam que tu existes,
e que eu existo e faço morada na órbita de uma longínqua estrela

só para ao teu lado estar.

* Ao pequeno príncipe, por todos os anos em que eu procurei a órbita do asteroide B612, só para lembrar que lá, mora um principezinho e uma rosa frágil, tola e amada.
E ao meu pai, que já virou estrela, e que não me deixou desacreditar nessa verdade, quando aos prantos, eu perguntei se o principezinho existia…
E a esta noite enluarada, onde, de lá de seu pequeno espaço, um menino de cabelos cor de trigo contempla a tarde cair…

LUZ!

Jaci Rocha

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