Poema de agora: ADEUS – Obdias Araújo (Para Fernando Canto)

ADEUS

Quando a morte chegar eu estarei à porta principal
À sua espera tendo em uma das mãos o bocal
De meu trombone polonês armado em dó
Que foi presente do Mastro Tenente Clodomiro Martins
E ninguém toca nele. Conversaremos por alguns minutos.

Ela a morte me narrará interessantes fatos de sua longa viagem
E eu lhe falarei depois do medo que tenho de não suportar
A falta dos amigos e a ausência dos carinhos da mulher amada.

À minha mão direita a Rosa do Deserto despetalada em pranto.
À minha mão esquerda o retrato de minha mãe e uma lágrima
Cuidadosamente retirada de seu olhar de Santa.

Assobiarei baixinho Bolero de Maurice Ravel
E bordarei no centro do meu peito
Um Sinal-da-Cruz imaginário.

Obdias Araújo (Para Fernando Canto).

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