Poema de agora: ANTITEMPO – Ori Fonseca

ANTITEMPO

Ninguém se enxerga no escuro,
O futuro
É atrasado,
O relógio anda ao contrário,
Os dias no calendário
Dormem no breu do passado,
E, nesse andar anti-horário,
Ninguém se sente seguro.
De um lado
Ou doutro do muro.

Ninguém se abraça no medo,
O segredo
É ser estranho.
A bruxa agora é queimada
Na solidão da calçada,
Marcada feito rebanho,
No chão da praça em segredo,
No sono da madrugada,
No banho
Ardente em degredo.

Ilustração: Lú Valverdi

Ninguém se ajuda na guerra,
Quem berra,
Quem se reclama
No pavor da noite escura,
Quem sofre a dor da tortura
Sabe o quanto a chaga inflama
E quanto lhe pesa a terra…
Já afundamos na loucura
Da lama
Que nos enterra.

Ori Fonseca

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