Poema de agora: Atirando pedras por sobre os Ombros – Luiz Jorge Ferreira

 

Atirando pedras por sobre os Ombros

Eu vou me associar a você.
Sentados de costas para a terceira rua invernamos.
Rascunho com um pouco de saliva, desenhos a esmo.
A cara de um anjo careca tocando gaita.
Uma baleia azul vestida em um Suéter…Made in Pernambucana…voltada para Oeste.
Assobio mais da metade de uma Música de dois compassos que termina em Lá.
18:-45 .


Cruzo dois dedos polegares de unhas roídas, e os mordo até que sangrem.
Posso mergulhar meus dedos entre os teus cabelos úmidos de laquê.
Próximo escrever em Braile o décimo primeiro mandamento.
Aquele que diz:-NãoCreia.

Nada disso me importa quando caminho por ruas tortas com meus sapatos puídos de passos.
Eu amo os passos, os pés, e os sapatos.
Amo, os nós,os cós,e o Cal.


Amo o sal, e a brisa que enxuga o suor, e que penteia em mim os enfins espalhados pelas lembranças.
Ami a criança que fui e abandonei no Alpendre onde o Sol dormia a sesta na sexta-feira 13.
Adiante de mim o tempo como um imoral, mostrava-se despido.

Eu saí de mim, e passei a segui-lo.
Ele em um ritmo cada vez mais acentuado.
Hoje sei que fiz errado em arranhar a lua, e cuspir nas estrelas.
Enquanto eu corria entre os outros, que corriam entre outros, não havia lado que terminasse.
Os Corvos voavam as cegas e as penas que caiam, eu as pregava no corpo para ensaiar um vôo.
Por fim repleto de cicatrizes, tatuagens, garras, e tropeços.


Vejo-me as voltas com o retorno.
Hoje! Sozinho. Aqui estou.Como um Boto Cor de Rosa.
Menino e Avô.

Luiz Jorge Ferreira

*Do livro de Poemas “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial – São Paulo.

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