Poema de agora: Cabocla – Jô Araújo

Poeta Jô Araújo – Foto: arquivo pessoal

Cabocla

Sou cabocla sim sinhô
Daquelas do pé rachado
Não tenho vergonha ou pavô
De andar com os pés sem sapato.

Sou cabocla sim sinhô
Meu português é errado
Mais sei bem pra donde vô
Mesmo num tendo istudado

Sou cabocla sim sinhô
Foi do mato que saí
E cheguei a donde tô
Com muito pirão de açaí.

Sou cabocla sim sinhô
Aos ricos eu não odeio
E como dizia meu avô
Eu detesto é arrudeio.

Sou cabocla sim sinhô
Dessa terra Tucuju
De pobre também de dotô
Criados com pirarucu.

Sou cabocla sim sinhô! E daí?

Jô Araújo

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    Gostei muito é assim que somos, não se gosta essa é a minha cidade e se chama Macapá, terra de gente Boa e que gosta de tacacá…

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    Bravo! Parabéns Jô! ⚘👏🏻👏🏻👏🏻
    Belezura de poema cadenciado, melodioso, rico em vocábulos da linguística autóctone do povo simples, nativo de nossas áreas rurais de todo o nosso rincão brasileiro.
    Tão lindo! Gosto da ideia de resistência que os versos expressam, a defesa da identidade e o empoderamento feminino. ⚘👏🏻👏🏻👏🏻

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