Poema de agora: Decifro-me e Devoro-me – Jaci Rocha

Decifro-me e Devoro-me

Assisto à ventania
Pois eu sou temporal
Gotas de inverno em escaldante equador
Sou o sabor da pimenta

E o cheiro da flor

Feita de sonho, sangue, suor e saliva
Eu sou a vida entregue, apaixonada
Pétala tão delicada
Espinhosa, se ferida…

Eu sou a ventania
Sou meu anjo e demônio
O pior pesadelo
E o mais bonito sonho

Meu maior enigma,
Quebra cabeças incompleto
Queria tanto o colo de meu PAI
Ele – bem sei – me entenderia…

Sou ação e verbo
Mesmo quando deveria ser silêncio
Posso ser teu ninho: Mas, aprecie a viagem
Pois, leve movimento

Eu estou só de passagem…

Transparente
– É uma fragilidade quando se dança entre vampiros –
Limpa, sigo, sendo exatamente o que acredito
E eu sei, o mundo permanece mesmo tão bonito…

Densa,
Como a pluma, que presa pela gravidade,
Precisa aprender a lidar com o ar
Lua crescente

Em uma órbita particular…

Tenho medo de mim,
Mas…tenha-me: pois eu sou amor
Por favor, me deixe entrar
Meu labirinto é faminto

Mas eu não vou te devorar.

…Devoro-me!
Vivo em eterna autofagia:
Eu me sangro e mastigo
Mas sempre renasço poesia.

Jaci Rocha

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