Poema de agora: DIA DE SOL – Carla Nobre

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DIA DE SOL

Dois bolos de cenoura
A lareira abandonada
E três dias de sol causticante

Isso é o que restou do teu olhar
Na minha cama

Prometo vender tudo
Até o bolo estragado
O sol já é de todo mundo
A lareira da casa é que tem valor
Faz mesura com as cinzas das cartas de amor

É o amor dessa casa que quero vender

E entre o vestido rasgado
Do delírio do sonho dourado
E as coxas em solidão
Do delírio da tua mão

Quero viver coberta de cinza
Ladra que sou do que vendi
até que a explosão do sol me atinja
e evapore-se no asfalto
fagulhas de amor que reparti

Carla Nobre

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