Poema de agora: Distraída – Jaci Rocha

Distraída

Longe das ordinariedades
De um cotidiano pálido
Distante dos homens de palavra
Que falam e andam
costas envergadas por pesadas pastas

distraída de relatórios e notas explicativas
que delimitam fácil demais o sentido da vida
Afastada demais das Societés e suas comunhões
– O par a par da confraria de múltiplas convenções –

A poeta olha o céu.

Bebe água quando sente sede
Abraça p´ra doar calor
Molha os olhos quando sente dor
Ri, conversa com crianças
E gosta de ser e se vestir de amor…

Distante das esfinges de pedra
Que observam a vida sem deslumbre
Quase com desdém
desentendida de quem passa sem surpresa
Por canteiros e esquinas

Alheia às ilusões de poder
Que abrilham-se em mentes pequenas
e às vidas que antes do riso pedem identificação
num tipo de quid pro co
que ordinariza a emoção

– A Poeta olha o céu.

Gosta da vida e aprecia ser viva
Da luz das flores e das coisas coloridas
Aprecia o som da brisa e o sopro do vento
Segue distraída, entre sonhos, luz
fé e movimento.

Jaci Rocha

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