Poema de agora: Estathua – Luiz Jorge Ferreira

Estathua

Não vôo mais.
Ando pela sala com minhas asas ensopadas de orvalho.
Com minha pele úmida , enrugada.
Com meu semblante manchado de passado.

Não vôo mais…
procuro estátuas sujas de sal, que pareçam comigo.
Para lhes desembaraçar os cabelos.
O Sol do lugar de onde vim, procura-me nesta noite escura.
Ele também escondido da luz.
Para me ensinar a colher amoras.

Escultura “Acidente Aéreo”, no alto de um prédio em Madri (ESP).

Não vôo mais, ando sobre minhas pegadas.
Criadas por desatentas caminhadas, de alguns anos atrás.

Não vôo mais.
Arfando corro sem direção a procura da minha vida.
Assustada ela voa pela Vasp.
Eu não vôo mais….

Luiz Jorge Ferreira

*Do livro Nunca mais vou sair de mim, sem levar as Asas – Editora Rumo Editorial – Osasco (SP) – Brasil.

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