Poema de agora: Fantasmas de Madeira – Luiz Jorge Ferreira

Fantasmas de Madeira

Te deixo ficar em mim.
…se trouxeres uma vela colorida…um sopro de brisa com cheiro de rio…um cardume grávido de estrelas do mar…

Para meu espanto…e se quiseres trarás uma quarta-feira desenhada a grafite no muro do Cemitério da Consolação.
Para meu êxtase…e se lembrares, doaras uma noite repleta de pirilampos…
Sob uma melodia dissonante do Djavan.

Te deixo imaginar o jardim…se abrires a cancela para que entre a lua…
Para que pulse um sol, dentro do olhar perplexo da saudade que esteve deitada no alpendre, que entre muitos momentos me lembro, e outros…jamais.

Estendo meus braços órfão de abraços…para um gesto teatral de bem-vinda.
Caso derrames mel em pequenas gotas sobre mim.


Para a imaginação povoar minha boca, com beijos esculpidos em uma mármore Carrara, por Rodin…
E que dances tímida sob a inebriante opera de Aída, ainda que toda a vida ainda sobrenade dentro de uma xícara de café…abandonada em Outubro.


Haverá mar, haverá sal, haverá a palavra haverá, que enche de fé
Todo o meu pálido coração.
Sendo assim,concluído o pacto…ficarás…la fora a partida permanecerá atada ao meu não.
Até que as primeiras chuvas vindas de Manaus, cheguem a Novembro.

Luiz Jorge Ferreira

* Do livro de Poemas “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial – São Paulo.

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