Poema de agora: Gostares – Jaci Rocha

Gostares

Gosto do poema que nasce
Tal flor, sob o frio concreto da estrada
Da leveza das paixões
Que nos tiram do sério

Da beleza das noites de chuva ou enluaradas
Dos refrões de rock ou bolero
Beijo na boca enquanto toca na vitrola

‘hum, eu quero você, como eu quero’

Das coisas que nos tiram do sério…do tédio
Do veneno de existir sem as canções
Que movem paixões…

E nos fazem vir e ver
Gosto de ser “pra valer”
Na mística da vida
Com todas sua essência efêmera e linda.

Gosto das coisas não planejadas
Dos encontros desenhados nas estrelas
Aqueles que a gente nem imagina que vão acontecer…

Os que mudam os caminhos
Ou apenas agregam nossos passos
Da solidão que vai embora
Num abraço…

Gosto do espaço
Entre a palavra e o silêncio.

Gosto de me surpreender com Deus!
Com a delicadeza de seus traços
Aquilo que nem imagino
E vejo delicadamente tecido

Gosto tanto do que é co-movido
Abraço, beijo, gemido
Sussurros e bilhetes
Gosto de café com sorvete

E de chuva com sol.

Gosto de ver um poema nascer
Um amor surgir na constelação das paixões
E até ver um passarinho fazer um ninho

Pois ninguém no universo
É mesmo tão sozinho…

Gosto de sentir e saber
Que um milagre nasce em cada lugar
É só ter olhos atentos
E um coração sereno

(Que não cansa de gostar)

Jaci Rocha

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