Poema de agora: Ilhado – Tiago Quingosta

Ilhado

Calas os japiins e os jurutis,
espalhas as andorinhas,
depenas os papagaios,
sangras as samaúmas,
secas os tajás,
apodreces as mangas e jambos,
matas açaizeiros.

Mudas o curso d´água,
trocas os hemisférios,
esfrias os dias,
expulsas o sol mais cedo.

Furas as caixas,
rasgas as saias,
tornas sórdidas as açucenas,
afugentas os botos,
tiras o brilho das piabas,
afundas batelões.

E continuo aqui,
deitado sobre a palha,
subjugado
fazendo amor,
enquanto o incêndio destrói toda a taba.

Tiago Quingosta

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