Poema de agora: Luarina – Luiz Jorge Ferreira

Luarina

Para tentar ficar com você …extrai os dentes do Siso.
Bebi Gin com Cinzano…
Falei fanho no Celular, para enganar seu mano.
Fotografei estrelas recortadas de um revista colorida de etiquetas, e na escuridão do banheiro sob a luz escura de um abajur de neon criei uma lua com seu nome e a coloquei no jardim perto do seu Girassol.

Para gravar a cor dos seus olhos, decidi desenha-los no forro detrás do sofá da sala, e comprei duas caixas de lapis coloridos, por fim misturei as cores dentro de uma xícara com o que sobrou do Gin derramado no biombo do banheiro, e joguei a esmo, atrás do quadro copiado de Romeu e Julieta,e das duas estatuetas de Querubins e Arcanjos, o que coloriu de um modo desproporcional toda a roupa de Momo para o próximo Carnaval.

Eu me deitei a noite durante o frio de Abril de shorts com que jogo bola na Quinta-feira, de Camiseta da Portuguesa bem puída, esperando que num sonho destes em que você perambula por uma praia sob coqueiros e samambaias, catando ostras e estrelas do mar, eu aparecesse e nesse recanto de encanto, é que o seu olhar nadando com os Botos,a flutuar em paz… é então que eu noto que ele é Lilás como as violetas da França…e você nem olha para o lado onde tudo isso eu fiz acontecer, escrevendo sobre a folha branca do papel, só porquê não encontrei lugar nas nuvens, então foi que eu quando pude, desenhei sobre a própria pele agora imberbe, apergaminhada a se parecer com uma estrada magra de terra seca, e sinais com pelos, agora tortas lombadas, ansiosas, por receber do mar…água.
Por sua causa a sede nos abraça, e malina, nos maltrata, nós envelhecendo terrivelmente.
Por sua causa…
…por sua causa…dentro dos meus sonhos, já não sonho mais!

Luiz Jorge Ferreira.

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