Poema de agora: Mercado Central – Jorge Herberth

Mercado Central

O tempo
Repousa
nas flores

Trabalho
Sabedoria
das abelhas
Fungos
d’alma

No Mercado do Tempo
Vozes da feira
Gente
do além
Precificam
Fome
Peixe
Fóssil congelado
Farinha
De escravizados

Anunciam
promoção
da vida

No Mercado do Tempo
Força
Afiada
Abrupta
Disputa
Peixeiro
Açougueiro

No tempo
Quase perfeito
É um talho

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No Mercado do Tempo
O barbeiro
Renova
Navalha
Vosso tempo
Tesoura
teu tesouro
de vaidades
perfumadas

Nem és dele
o cheiroso
filho primogênito

No Tempo do Mercado
O sapateiro
Recorta
O couro
Te devolve
na sola
dos velhos calçados
o Tempo
que pisaste
caminhos
trilhados
azuis do mar
que se foi

Registros
barrentos
do rio
milenar
Tempo de Amor Amazônico

No Mercado do Tempo
O pregoreiro roco
Calou-se
ao japonês das verduras
aos ovos da ciência
ao “muleque”
do pastel

Do croquete
no tabuleiro
de outros tantos
o fio no vidro pendurado
no canto
com sabores e aromas
de pimenta boa

Pêndulo do Tempo
Perdido
da escola

Mas no Mercado do Tempo
O “muleque”
Quase vence
Ganha tempo
Contra
A fome

O trabalho
No Mercado do Tempo
É árduo
Resistência
Pra gente
Que sonha
Sobrevive
O universo
Da vida
Nesse túnel sem luz

Jorge Herberth

 

*(Com fotos de Max Renê, Alcinéa Cavalcante e arquivos de Edgar Rodrigues e dos blogs Porta-Retrato e www.alcinea.com)

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