Poema de agora: Meu Pilão Deitado – Obdias Araújo

Meu Pilão Deitado

Observo atentamente a ponta de meus dedos.
Como pude viver durante seis décadas num espaço
milimetricamente decassílabo?

Na janela o mar absoluto me fala
de outros portos. Atracadouros de sonhos.
Naufragados em prosa e verso na Lettera 22
do Comendador Alcy Araújo Cavalcante
aquele que fumava fumo italiano
no cachimbo importado
de Isnard Brandão de Lima Filho.
Por onde volejarão agora
estes menino da Zaide Soledade?

A porta era mantida aberta por um pilão bonito
que jazia deitado e era um tamborete
repouso bom para a pachorrenta bunda
do poeta.

Antes este pilão fazia parte do acervo
Do Sábio Fernando Pimentel Canto.
Nele estiveram guardados uma garrafa
de Cointreau outra de Strega
e mais uma de White Horas acima do meio.

Um dia festejando o Boêmios Fernando
perdeu o pilão com tudo dentro
numa rodada única de porrinha.

Eu levei a melhor.

Ao lado a imensa mão
de dois punhos fechados

É o Laguinho
em Black-Tie.

Obdias Araújo


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