Poema de agora: Monólogo de ontem – Marven Junius Franklin

Imagem: fotógrafo sueco Tommy Ingberg

Monólogo de ontem

Nessa mesa de bar
apreciando fulanos que passam
com suas sacolinhas de compras
e arrogantes sorrisos amarelados

(que dobram de rua
ao me ver ali – na mesma disposição – desde ontem).

Ah, pobre de mim!
Mero observador do cotidiano
que passa horas esperando
a passagem de um trem imaginário.

E que meu brother Daniel Pedro
me entenda – é que eu não conseguir
largar a latinha da mão.

Dia de tez escura
e burburinhos nos mercados

(de pessoas amanhecidas de silêncio
e repletas de horas que não correm nunca).

Ah, esqueço sempre
de olhar o relógio!

(e assim as verdades decorrem e partem
– desobedientes – abduzidas
por mãos afoitas da solidão).

Marven Junius Franklin

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