Poema de agora: MUTUS – Ori Fonseca

Ilustração: banco do Google.* Augusto dos Anjos.

MUTUS

Agora, que é chegado o fim do livro,
Nenhuma outra palavra há de ser lida,
Eu deixo os versos meus seguir sua vida.
Livrar-se-ão de mim, deles me livro.

Lanço por terra do funil ao crivo,
Ao sol deixo a peneira carcomida,
A pinça enferrujada e corroída.
A pena a me crivar, que agora crivo.

Secada a fonte, hei de morrer de sede,
A morte justa aos fracos e perversos,
Aos vis e desistentes e dispersos.

De cara co’a barreira da parede,
Somente uma certeza me sucede:
“Daqui por diante não farei mais versos”.*

Ori Fonseca

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