Poema de agora: My Name – Luiz Jorge Ferreira

My Name

Meu nome é Luiz. Poderia ser ódio, poderia ser ócio.
Poderia ser ZYE 2… PRC 5… Radio Difusora de Macapá.
Glostora… Anti-sardinha… Q Suco de tangerina…Zé Raimundo, Bill,
Belizário.
Meu nome é latino-americano. Poderia ser Palestina, pele, Pelé, afegão.
Poderia ser S.U.S.
Yes, Please, Plus.
E se Modess, poderia estar Severino… Akai 47.
Nitrogringoglicerina.
Cancro Mole e Antraz.
O outro gole de Whisky. A água d’Água Raz.
Meu nome é Luiz.
De uis, e ois, e tchaus.
Depois dos vocês.Parei paralelo aos ninguens, nas margens das Marginais.
De Belchior e Quintais (Quadrados virtuais, dentro dos apartamentos.)
Abrasilereime.
Quase acolá e ali. Sem casa sem horizonte sem “Para donde?”.
PS, IML, por fim “Pés Juntos”.
Como se fosse qualquer coisa, como se coisa qualquer fosse.
Como se fome fosse pão, e pão fosse foice.
Meu nome é uivos, e hinos.
Poderia ser menino. boy, e ninõ.
Machô, Gay, e E-mail.
Mamilo de seios, e labirintos de clitóris.
Feto, Zero ou Pi de Pitágoras.
Poderia ser agora, momentâneo, indefinido.
Silencio de gritos, e nuncas.
Ancas, umbigos, e desejos.
Beijos.
Meu nome é quase preguiça, carniça, mênstruo, mel, fel, leu, e Zen.
Êxtase e soneira.
Como se fosse sede.
Feita flor de Urtiga, sobre a língua, as ínguas, e as feridas.
Meu nome pode ser vida.
Morte, algodão nos orifícios, olhos ausentes e sem alma, Karma fria sem
corpo. Moscas em redemoinho.Que das bocas caem, nas bocas e narinas, e
nunca mais nunca nada.
Nem que o Brasil faça um gol na Copa contra a Argentina.
Meu nome pode ser talvez, outrossim.

Ou encontro por acaso entre espermatozóides míopes, e óvulos afins.
Podem ser caos, universo, e átomo.
Atônito ato at ô cônico crônico.
Quiçá explodir Bombas de Chocolate saudáveis e ou no avesso espalhar
Spray(s) coloridos, e latas de laquê nos pelos do pênis.
Japonês… Nordestino… Amapaense por destino de vôo do Loide, ou da Panair.
Acne, Asma, ou Impingem.
Meu nome é Luiz, e não outro que seja este mesmo, a Leste, ou Norte do
Oeste.
Poderia querer sim, ser o Não.
Carie, flato, e dor.
Pus por fim, psiu sem P.
Melodia, berro, grito, uivo, grunhido, se lua no céu… Suor! Se sol… Chuvisco.
Ainda que Arisco.Poderia ser o amor.
Gritando na mão do alfabetizado mudo.
Eu cego.Poderia negar tudo
E o meu podre olhar de ateu.
Só procurar Deus.
Para perguntar.
— My Name?

Luiz Jorge Ferreira

*Luiz Jorge Ferreira é amapaense, médico que reside em São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames).
**Do livro Thybum (Poemas) – Rumo Editorial – 2015

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