Poema de agora: O amor não cabe no ataúde – Pat Andrade

O amor não cabe no ataúde

o amor morre às vezes
mas não cabe no ataúde

sempre ficam de fora
os beijos molhados
os olhares apaixonados
e as cartas escritas
com a pena da saudade

ficam de fora
os luares que eu te dei
os pores-de-sol
nas fotos desbotadas
e todas manhãs
que acordei ao teu lado

ficam de fora os mundos
inventados por nós
as canções apaixonadas
e os banhos de chuva
no quintal

ficam de fora
as tardes de mãos dadas
noites estreladas
e todos os poemas
docemente sussurrados

não importa
quantas vezes
morra o amor
as coisas boas
permanecem vivas

porque o amor
não cabe no ataúde

Pat Andrade

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