Poema de agora: O DEVANEIO É O CETRO DO POETA – Paulo Tarso Barros

O DEVANEIO É O CETRO DO POETA

O devaneio é o cetro do poeta.
Flutua, voa, espairece e carece.
Submerge, ondula e flui.
Reina, plácido, entre os aromas
e os cânticos eternos dos poemas.
Mente, esbraveja subversões em lampejos
que mais parecem cometas siderais.

O devaneio é o cérebro incondicional
do poeta,
o coração, as tripas,
os pulmões extracorpóreos.
E o poeta, triste,
da cor só-limão,
caminha por entre as imaginações
e concebe um mundo antimundo:
nem matéria,
nem resultado do big-bang,
nem overdose ficcional,
nem síntese apocalíptica.

Com o cetro na mão,
imperador dos reinos metafísicos,
caçador de sensações,
flutua, enlanguesce, desnuda-se,
contradiz-se e sofre,
principalmente se a palavra não chega
e o silêncio triunfa.

Paulo Tarso Barros

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