Poema de agora: O mundo avesso dos amantes – Augusto Oliveira (declamado em vídeo por Pat Andrade)

O mundo avesso dos amantes

Que mundo era aquele
Onde existiu aquele Improvável beijo?
Não era o dos noticiários noturnos
Menos ainda o dos transeuntes soturnos
Noctâmbulos do cotidiano das ruas
Ou sonâmbulos com olhos taciturnos.

Então, que mundo era aquele
No qual um beijo improvável se permitiu
Mesmo que na contramão
Fora da lei,
Da gravidade,
Da cogitação?

Era o mundo paralelo
De beijos, de romances.
Dos amores vaticinados como impossíveis
Por isso, mais sedutores que o fascínio sedutor dos amantes.
Um mundo facultado,
Talvez por um semideus degredado
Concedendo aos loucos e aos poetas
um mundo avesso ao direito.
Um mundo-outro-mundo
Possível, porque devaneio
Provável, porque desatino
Tangível, porque, às vezes letra
Escrita indelével na outra boca.

Augusto Oliveira – (declamado em vídeo por Pat Andrade)


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