Poema de agora: O OITAVO ANJO – Obdias Araújo

O OITAVO ANJO

Feito criança que atravessa a rua
Com o sinal aberto ele para e olha o tempo
Como se o sol fosse a voz
Que ordena a partida.

Solitário percorreu caminhos
E deixou seu rastro nas escadarias.

Na sua solidão
Alisou as ondas do Amazonas
Como se fossem seus próprios cabelos
E se deixou beijar lentamente
Pela deusa do sonho inacabado.

E muitos olhos viram
Seu sorriso assolando os campos.

E muitos outros olhos
Hão de ver. E muitos outros ouvidos
-Ouvidos perto -ouvidos longe hão de ouvir.
Até os surdos escutarão em braile.

Haverá desusado movimento
Nas Ilhas Galápagos.

Seguirá sem a pressa costumeira
Deixando no caminho às suas costas
Uma sombra larga e o brilho de um farol.

Semeará a dor e a desgraça
Com suas armas afiadas de palavras
Fazendo brotar dos olhos verdes
Negros azuis cinzas vesgos míopes
Glaucomados ou castanhos
Um chafariz de lagrimas impuras
E a imagem da desolação.

Obdias Araújo

*À memória do Doutor Isnard Brandão de Lima Filho. Advogado, Poeta e Sacanocrata.

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