Poema de agora: Ojuara – Luiz Jorge Ferreira

Ojuara

Nostradamus, disse-me…vai chover sal.
Eu saí correndo sobre minhas patas…
Defronte ao IETA que menstruava.
E fui me esconder no Ojuara detrás de uma garrafa de Flip Guaraná.


Os anjos do Cemitério, fecharam as asas, e as poucas penas que voaram, desceram no pátio da Igreja ainda encantada com a rua da frente lhe atravessando o ventre.
Nostradamus se abraçou ao Isnard e caminharam em direção ao rio.
Esse ano choveu tanto que minhas lágrimas perderam o sal.
E meu suor ganhou cal, e eu fiquei uma estátua, imóvel, incrédula, estranha as tardes de sol sonolentos e as noites de luas grávidas…

O cemitério está lá…estranho ao passar dos anos, descrente das reformas da Prefeitura, indolente a chuva que lhe refresca as almas aprisionadas em nossa memória.

Os cães correndo pela rua, são os visitantes mais aguardados.
Eles enxergam os Anjos, eles rosnam para o além, eles ignoram as ossadas dispostas como árvores de Natal.

Quinta-feira é a chamada geral…cada nome que a eternidade pronúncia…
Os cães latem.
Quando Nostradamus visita o futuro…eu corro para o outro lado da Praça onde me escondo.

Local onde funcionava o Bar Ojuara, na Rua General Rondon, em Macapá. Foto: Fernando Canto.

Não há jeito
As pulgas e os carrapatos são terríveis, sempre dão um jeito de dizer onde estou.

Luiz Jorge Ferreira.

*Osasco (SP) – 12.12.2020.

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