Poema de agora: PAINAS – Fernando Canto

PAINAS

Que tempo é esse
Que me traz revesso
Como um dia comesse
A inevitável idade
Enlaçada em prantos?
Que acontecimentos/que fogos/que fatos?
Fogos/águas/e/terras/arribando/em fogo-fátuo
Nadando em tachos de brinquedo
Que chegam em painas de mungubas, samaúmas.

Voando além dos páramos,
Além dos estirões
E aluviões desmoronados?

Ele adensa manhãs e rompe silêncios
Escondidos até ontem no bico dos pássaros migrantes.

Fernando Canto

*Do livro Canção do Amor Enchente.

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